

Lembrem-se: 1850 - proibição do tráfico de escravos; 1871 - lei do ventre livre. As creches, durante 100 anos, mais do que uma pressão das trabalhadoras e do movimento feminista, até a década de 1980 foi demanda dos patrões, de donos de escravos a donos de fábricas. A visão que funda a creche, portanto, não é voltada para a criança, ou mesmo para a mulher, mas a das necessidades oligárquicas e posteriormente capitalistas. A creche era pobre porque era para pobres (e negros): crianças e mães. Os movimentos sociais que se deram nas últimas 3 décadas, inclusive resultando nos textos da Constituição de 1988, ECA, LDB e Plano Nacional de Educação e FUNDEB, transformaram o conceito de creche e de direito da criança. Mas simplesmente mudar o viés de origem das creches ainda é tarefa diária. Em 1996, durante as eleições municipais, o ex-secretário da educação do estado de São Paulo de Quércia, e de Serra (até 2006), Pinotti, sugeriu que a função de educadoras de creche fosse desempenhada por internas da Febem, para ocupar mão-de-obra ociosa, assim como Jânio queria aproveitar espaços ociosos dos metrôs para creches. Essas aberrações conceituais parecem não ter sido enterradas no século XX.

Se o trabalho do professor na creche custa para ser valorizado, sua história é literalmente jogada ao lixo. A maior demonstração de desvalorização do trabalho realizado nas creches é a visão com que SME pensa o tempo antes das transformações de cargo pela lei 13574/03. Exceto pela remoção e atribuição, esse tempo anterior não vale nada para a educação. Para eles não importa se o Governo Erundina já traçava diretrizes pedagógicas, capacitação das ADIs e a elaboração dos projetos pedagógicos nas creches, já preocupada com a questão da leitura e escrita (veja mais imagens de material daquela época no painel A história roubada). Querem nos culpar se Maluf e Pitta sucatearam nossas creches. Querem negar que os novos Diretores de Equipamento Social já construíam e reformulavam os projetos pedagógicos antes mesmo da lei da transformação dos cargos assinada por Marta.
Alegam que não tínhamos o diploma necessário. Mas foi na Psicologia, diploma do qual me orgulho, que aprendi que não se promove o ser humano negando-lhe sua história. Não há aprendizagem que nasce do vazio. A pós em Gestão Escolar que fiz para transformar o cargo em Diretor da Escola só confirmou o que eu já sabia: a Pedagogia não prega o preconceito, a discriminação e a desconstrução histórica do indivíduo. Então, essa é uma posição política. Então, que educação é essa proposta por SME? Por qual educação estará condenado o futuro de nossa cidade?
Insisto em tratar tal questão como política, porque sequer há motivações jurídicas para nos negarem a contagem de tempo. Todas as consultas ao Conselho Municipal de Educação trataram nosso tempo como de magistério. As creches são consideradas educação básica desde a Constituição de 1988. A LDB passou a exigir o magistério dos profissionais da educação e a formação dada pelos municípios em 1996, porque revelou um páis desigual com milhares de professores, reconhecidos, porém chamados leigos porque não tinham tal formação inicial. O Plano Nacional de Educação (2001 a 2010) estabeleceu metas para essa formação e integração das creches (com responsabilidade dos Estados e Munícipios) porque identificou a necessidade de uma educação de qualidade com parâmetros nacionais desde a creche. O que é então, SME e a Prefeitura de São Paulo? Um país com própria carta magna e leis específicas? A interpretação dada pela Procuradoria Geral do Município seguindo a cartilha de SME, só demonstra que o preconceito e discriminação que sempre estigmatizaram a história das creches, agora assumem uma dimensão política, administrativa e jurídica. Quero deixar claro: é só uma interpretação. Assim como foi revertido o parecer que permitiu a contagem de tempo do Diretor de Equipamento Social, a Prefeitura pode reverter o parecer que impede PEIs de se aposentarem. E SME pode regulamentar que nosso tempo conte para evolução funcional. A aposentadoria é uma emergência, e a evolução, uma necessidade. Quero deixar claro também: não precisamos, pelo menos agora, de mudar a lei, a Constituição ou debater mudanças nacionais para resolver o problema em São Paulo. Falta vontade política, e, portanto, precisa-se de pressão dos servidores. Dia 20 vou estar no ato em SMG às 14 horas. Penso que todos devem fazer o mesmo: jus a nossa história.
Destaque: Faça a simulação para ver em quais regras você pode ou poderá se aposentar - SIMULAÇÃO DE APOSENTADORIA
Destaque: Faça a simulação para ver em quais regras você pode ou poderá se aposentar - SIMULAÇÃO DE APOSENTADORIA
sou formada no magistério á 12anos trabalho em creche conveniada á 6anos, amo meu trabalho, mas a cada dia me decepciono com ele, a carga horaria é absurda, todos reclamam 6hs seria perfeito, pois muitas das adis fazem faculdade e ficam esgotadas, a paciencia tbm, o prazer se torna obrigação, e nescesidade, a falta de pespectivas nos leva a crer que jovens recem formadas jamais trabalharão em creches conveniadas, pois o comentario é não estudei e paguei faculdade pra limpar bunda de criança, ser agredida e assediada moralmente por crianças. coordenação e direção mantem uma postura pratica ou seja a cça é a prioridade para manter seu cargo vc tem que aguentar tudo, cada cça representa uma& que é paga pela prefeitura , sendo assim é ela que tem a razão sempre. Não vejo a intenção de mudar nada de educar e dar a quem educa condições morais , psicologicas, financeiras, estruturais sociais, pedagogicas para o desenvolvimento de um bom trabalho.CEIS diretas, contribuem para essa realidade, mas não tem vagas suficientes, sendo assim as indiretas são quem oferencem essas vagas e exploram seus funcionarios,Igualdade è o que buscamos na educação em todos os sentidos mas como se tá tudo errado desde o começo.
ResponderExcluirÉ triste que as faculdades formem estas jovens que você cita cujos comentários são tão preconceituosos. Não perceberam o papel da educação infantil. O vínculo empregatício e as relações entre remuneração e percapita só prejudicam o atendimento. O atendimento deve ser público, garantido pelo município. Delegar atribuições do poder público e estabelecer uma relação com o capital fere os princípios educacionais. A igualdade de condições e salários com a rede direta acaba sendo uma utopia na medida que a intenção do Prefeito é gastar menos para atender mais crianças. Pouco lhe importa a qualidade.
ResponderExcluirLeia mais sobre creches conveniadas em:
http://politikei.blogspot.com/search/label/creches%20conveniadas#uds-search-results
Sugiro ainda o texto em:
http://politikei.blogspot.com/2010/06/creches-conveniadas-perto-do-fim-em-sao.html
parabéns pelo trabalho
ResponderExcluire vdd hj em dia o profissional da educação não tem nenhuma valorização só salarios baixos turnos hiper desgastantes e como se não bastacem mães que reclamam de tdo
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