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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Novo Blog, em breve

Aos amigos visitantes e aos leitores que acompanham estas páginas.

Em breve, pretendo inaugurar um portal para aglutinar os três blogs pessoais que mantenho hoje. A ideia que iniciei há alguns meses, mostrou-se necessária quando a campanha presidencial de 2010 foi levada ao 2º turno. Foi quando se percebeu tardiamente o erro de subestimar que a campanha de Serra tinha contratado especialistas para campanha na internet, dentre eles, o guru indiano, Ravi Singh. A campanha de boataria criada por profissionais internacionais, seguiu o modelo utilizado contra Obama nos EUA. Naquele momento, vi o quanto era ingênuo da minha parte não querer misturar os canais de informação que mantinha da política da campanha eleitoral, com o da política sindical. Parei de desperdiçar os espaços de informação e reproduzi os mesmo conteúdos em dois dos três blogs (o que se mostrou muito despendioso). Assim, como milhares de blogueiros, espalhei as informações anti-boatarias, respondi e-mails apócrifos e encaminhei denúncias para a justiça eleitoral. A princípio, imaginava que se tratavam de temas diferentes, mas no percurso, identifiquei que apesar de atraírem públicos e interesses diversos, tratam do mesmo tema básico: política. Descobri também que em todos os blogs que mantenho, o objetivo é comum: politizar.
Por que politizar?
A mídia tem patrocinado a despolitização do cidadão que passa a acreditar que política é algo ruim em si. Na escola, a política é justamente despolitizar o currículo. O cidadão despolitizado abandona a reunião de condomínio, não participa do conselho da escola do filho, esvazia os sindicatos, não tem partido. Os espaços abandonados são ocupados por oportunistas que passam a ser associados à política, ampliando o distanciamento do cidadão comum. A democracia representativa e não participativa que caracteriza a política brasileira também é responsável pelos vícios. Na visão capitalista atual, onde tudo é um mercado, o político em busca do voto quer vender um produto e o eleitor é um consumidor. Embalagem, publicidade, marketing, tudo pensado na possibilidade de ampliar as vendas e vencer a concorrência. Sem a participação do cidadão, este é reduzido a mero consumidor. Tem mais chance de vender seu produto, portanto, aquele que mais investir nas estratégias de mercado. Ou seja, quem gastar mais, quem tiver mais dinheiro à disposição.   Nessa lógica, quem tem maiores chances: os corruptos ou os corretos? Quem tiver maior patrocínio terá melhores chances. E na lógica capitalista não se patrocina algo ou alguém sem uma contrapartida. Despolitização fortalece a corrupção.
O retorno esperado por quem investe na corrupção não vem somente em dinheiro. Quem detem o capital, pode também, controlar a política. Seus interesses podem ser representados, ou melhor, comprados. Há uma luta de classes que ficou muito evidente e se explicitou nesta última eleição. Muitos trabalhadores acreditam e defendem políticas e políticos que favorecem somente aqueles que detêm os meios de produção e que servem a manter sob controle as regras que controlam a mais valia, ou ainda, os valores atribuídos à força de trabalho vendida pela classe trabalhadora. Despolitizar concentra renda e prejudica os trabalhadores.
A pauta do dia nos próximos anos deve ser a politização. Não adianta trazer milhões de brasileiros para a classe média se não for tornado consciente este processo, ou eles se apropriarão do discurso de exclusão reproduzido há séculos pela elite que sempre esteve no poder, e ajudarão a promover um processo invertido, um retrocesso. A ampliação do Plano Nacional de Banda Larga e a democratização dos meios de comunicação previstos pela 1ª Confecom promovida no Governo Lula, devem tornar-se medidas concretas no mandato de Dilma Rousseff. A internet deverá ser uma das grandes ferramentas para a politização, principalmente rompendo o oligopólio da informação concentrado há décadas nas mãos das mesmas famílias.
O novo Blog
image Desde o final de fevereiro de 2010 os três blogs acumularam mais de 26 mil visitas. No mês do 2º turno, a audiência do Brasil Nova Era, pela primeira vez superou a do SINDSEP FORTE, passando de 4700 visitas por mês, com destaque para o dia 28/out, com 318 visitas, quando publiquei o video que postei no Youtube, Armação Tucana, onde ajudei a demonstrar  a partir de outros vídeos que foi o próprio segurança de Serra quem atirou a bolinha de papel, deixando clara a má intencionalidade de Serra, da Globo e de sua campanha, no episódio.
Das mais de 46 mil visitas às páginas dos blogs, cerca de 75% se originaram de buscadores como o Google. Por isso, não se justifica limitar o blog a públicos delimitados. Ao criar meus três blogs, não tinha um projeto específico, ou melhor, tinha objetivos menores e não integrados. O novo blog deverá aglutinar no mesmo espaço as informações que hoje trabalho em blogs diferentes. Para facilitar o leitor, vou separar os conteúdos e temas de cada blog. Estou ainda buscando as melhores alternativas para tornar o site de fácil acesso e agradável.
Os três blogs hoje
Brasil Nova Era
Brasil Nova Era

No final de fevereiro inaugurei o Blog Brasil Nova Era, cansado de rebater e-mails falsos apócrifos contendo boatarias. Quem me introduziu ao mundo dos blogs, foi a companheira idealizadora dos blogs "Brasil que eu quero - Daily News" e EduFuturo. O nome do meu blog se deu por impulso e falta de criatividade mesmo. Na época, pouco desconfiava que existia uma estrutura organizada para criar boatos com fins eleitorais que, espero, ainda seja um dia desmascarada, pois, com certeza, constitui crime. Para alimentá-lo passei a acompanhar e ampliar as fontes com blogs e sites progressistas como Blog do Miro (Altamiro Borges), Conversa Afiada (Paulo Henrique Amorim, Vi o mundo - o que você não vê na mídia (Luiz Carlos Azenha) e Luis Nassif Online. Ao acompanhar as informações destas fontes passei a monitorar também  Os amigos do presidente Lula e Blog da Dilma, nascidos da necessidade de um contraponto com a grande mídia. Passei a publicar artigos da grande mídia, mas principalmente de fontes de alternativa progressista e de esquerda como Carta Capital e Portal Vermelho e outros blogs como Blog da Cidadania (Eduardo Guimarães), Blog do Rovai (Renato Rovai) e Escrevinhador (Rodrigo Vianna). Tive a oportunidade de descobrir blogs como o Cloaca News, que informa, alternado o bom humor com denúncias sérias. Pude rir muito com as peripécias do Pres. Zezinho, o Maior dos Filhos da Mooca, no TIA CARMELA E O ZEZINHO, o que considero uma revelação em termos de humor, cuja visita, sempre recomendo. Nessa viagem pelo mundo da informação despertei de vez da Matrix construída no eixo Rio/São Paulo por Globo, Veja, Folha e Estadão (entenda porque a trilogia Matrix é de equerda).
Romper com esse universo paralelo criado pela grande mídia e ajudar outros a despertar desse estado de alienação, tornou-se para mim uma missão. Combatemos assim, o que, se passou a ser apelidado na rede de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Judith Brito, executiva da Folha e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse que mediante uma oposição fraca eles (a imprensa) deveriam assumir o seu papel, dando novo sentido ao jornalismo. Outros blogs menores como o meu, assim como os grandes, se retroalimentam entre si com as informações, formando uma grande rede que se multiplica no twiter, e-mails e redes sociais, e tornaram-se fundamentais para ajudar a combater a campanha suja que se deu nestas eleições. Desta rede que cresceu muito em 2010, o Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé organizou em São Paulo, o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em agosto último, com mais de 300 blogueiros de 19 Estados da Federação. O sucesso do encontro do qual participei, ampliou a troca entre redes e organizou o documento final CARTA DOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS que inicia coma frase: A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa”. A frase é do Ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou o pedido de Serra que queria censurar o blog Os amigos do presidente Lula. Serra se referiu durante a campanha a esta rede como “blogs sujos”. A reação de todos foi imediata: adotar o símbolo de “blog sujo” no enfrentamento da grande mídia “limpinha”. Apesar da mídia esconder o que se tornou essa rede que tem atrapalhado a venda de jornais e revistas, e desmontado a cada vez mais credibilidade desses grupos a partir de seus próprios erros, a Folha de São Paulo, por sua ombudsman, Suzana Singer, teve a cara de pau de, no domingo da eleição do 2º turno, depois de dar como perdidas as eleições para Serra, para defender sua “imparciliadade” de culpar a internet pelos “boatos” contra a imprensa (leia Folha. Juntando os cacos sem cola)

SINDSEP FORTE
SINDSEP FORTE
No noite do dia 10 de março de 2010 criei o blog SINDSEP FORTE, após ter participado do primeiro dia do 10º Congresso do SINDSEP (sindicato que representa os servidores do Município de São Paulo). Várias vezes o blog tem sido confundido com o site oficial do SINDSEP. O nome SINDSEP FORTE surgiu como um movimento de vários companheiros que entendem ser necessário fortalecer o sindicato a partir da mobilização e organização da base. Essa confusão tem sido muito comum mesmo entre filiados que frequentam o sindicato ou recebem meus e-mails há cerca de 3 anos. Muitos deles pensam que ainda sou da diretoria, o que reforça minha tese que se faz necessária a politização dos trabalhadores, luta que sempre travei na diretoria, na oposição e na representação sindical. Ao criar o blog, minha proposta foi de oferecer um espaço de debate democrático, sem as amarras das disputas internas por poder no sindicato e na CUT, que tornaram o Congresso de 2010, o menos democrático da história da entidade que já completou de duas décadas. Com tese única e sem organização de grupos para os debates, a forma inusitada como foi pensado e conduzido o Congresso demonstra que se faz necessária uma revisão dos espaços de decisão da entidade, com fortalecimento dos filiados e representantes de base. A partir dessa bandeira, percebi que o blog era um espaço de informação importante não ocupado pela entidade. Passei a divulgar notícias do funcionalismo que acompanhava pela imprensa, e-mails e demais sindicatos, além de minhas opiniões. O resultado foi que a frequência aumentou mês a mês, inclusive por servidores do Estado de São Paulo e funcionários de creches conveniadas, denunciando uma crônica falta de instâncias para informação e para o debate político e sindical. Esses pontos por si já me inspiraram para a criação de um portal com o objetivo maior de politização das discussões sindicais.
Porém, o motivador maior para tal decisão foi o 2º turno da eleição quando resolvi pela primeira vez usar também o espaço do SINDSEP FORTE para discutir a mídia, a campanha suja de Serra e os projetos para o Brasil dos próximos anos. Mandei e-mails para todos os contatos que acumulei durante e após meu mandato. Para minha surpresa, apenas duas pessoas responderam indignadas comigo por fazer a defesa da candidatura Dilma. Na verdade, a indignação se deu por entenderem que eu estava usando a máquina do sindicato. Uma vez explicado que o blog era pessoal e que não sou dirigente da entidade, a confusão foi desfeita. Mas terminada a eleição decidi-me pela criação de um portal sobre política, com canais que permitam as pessoas serem informadas e discutirem os temas de sua preferência. Até que eu realize meu intento, registro mais uma vez essa história minha no SINDSEP para esclarecer a quem possa interessar.
Entre 2005 e 2008 fui diretor na entidade e, junto a outros membros da diretoria, decidimos disputar a eleição no último ano como oposição à diretoria majoritária do sindicato, em sinal de repúdio e denúncia contra a política e as práticas de alguns dirigentes em prejuízo do interesse dos trabalhadores, sua organização e mobilização. Em uma campanha de um mês e meio, com poucos recursos e sem possibilidades efetivas de fiscalização, tiramos o sono de muita gente, e alcamos 42% dos votos. Mesmo sendo derrotado e deixado o mandato em 1º de maio de 2008, não abandonei o espaço sindical e desde então sou Representante de minha unidade e Conselheiro pela região Sudeste da Cidade. Como já disse em favor da politização, abandonar qualquer espaço político é dar vez a oportunistas.
Plano Municipal de Educação – São Paulo
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Justamente por não ter a concepção de um portal, que criei o blog que poderia ser um braço de atuação do blog SINDSEP FORTE. O objetivo foi ter um espaço de troca e informação sobre os debates para o Plano Municipal de Educação da cidade, pouco publicizado pelo governo Kassab. Apesar de ter (neste momento) apenas 39 postagens contra as mais de 400 publicações do SINDSEP FORTE e os cerca de 1300 textos do Brasil Nova Era, o blog já passou de 4.300 visitas, com mais de mil ao mês desde agosto. O post mais visitado e comentado basicamente por trabalhadores de creches conveniadas tem sido o “Creches conveniadas perto do fim em São Paulo?”. Outros textos sobre o tema, inclusive no SINDSEP FORTE, continuam atraindo esses trabalhadores das conveniadas, também sem espaços de diálogo e informação. Trazer o blog para um portal com outras possibilidades de organizar canais e temas pode facilitar bastante para esses grupos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O boom da arrecadação e o crash salarial em São Paulo

A notícia do Estadão publicada no site do SINDSEP (veja abaixo) sobre o boom imobiliário em São Paulo e o respectivo salto da arrecadação para os cofres públicos da Capital nos remete à seguinte questão: Kassab vai manter os salários dos servidores congelados e a contenção de despesas com serviço público?
Talvez Kassab pretenda repetir o feito do primeiro mandato deixando para gastar tudo no último ano e tentar se reeleger.

Leia também:
Serra e a mídia chantagearam Kassab?
HSPM em greve dia 05
O sucateamento da saúde pública de São Paulo

 

Boom imobiliário faz SP bater recorde de arrecadação

Publicado em quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Impulsionada por um boom imobiliário sem precedentes na história de São Paulo, a arrecadação da Prefeitura teve crescimento maior do que a da União e a do governo paulista. A capital viu entrar nos cofres municipais um volume em tributos 16,5% maior entre janeiro e agosto, em comparação com o mesmo período de 2009. O governo federal registrou aumento de 9,8% e o Estado, de 13,9%.

O resumo financeiro do segundo quadrimestre da Prefeitura mostra uma explosão na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS), do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que tem taxa de 2% sobre o valor de um imóvel negociado, usado ou novo.

Dessa forma, quem compra um apartamento de R$ 300 mil tem de pagar à vista R$ 6 mil à Prefeitura, mesmo que o imóvel tenha sido financiado. De janeiro a julho deste ano, já foram vendidos na capital 20.182 imóveis, ante 16.460 em igual período de 2009, segundo o Secovi (Sindicato da Habitação).

O governo recolheu R$ 576 milhões de ITBI entre janeiro e agosto, um crescimento de 37,8% em relação ao ano passado. Para 2011, o orçamento municipal projeta uma arrecadação de R$ 1 bilhão com o ITBI. "Esse imposto realmente é um fenômeno. O aquecimento do mercado imobiliário só cresce mês a mês e não existe tendência de arrefecimento. Pelo contrário. O crescimento vai prosseguir em 2011", afirma o secretário municipal de Finanças, Walter Aluisio Morais Rodrigues. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

domingo, 19 de setembro de 2010

Serra e a mídia chantagearam Kassab?

Pode ser coincidência. Desde o início do mês a imprensa tem cogitado a possibilidade de Kassab ir para o PMDB (eu publiquei aqui: Quando o barco afunda… Kassab pode ir para o PMDB). O assunto foi tomando maior espaço na mídia e se confirmando com informações vindas do PMDB nacionala e paulista. Até que Serra começou a negar a hipótese de Kassab sair do DEM (como se fosse sua a decisão). Outro fato curioso foi o Editorial do Estadão de 13 de setembro, intitulado “O Centro esquecido”, criticando Kassab (leia abaixo) por não aplicar 121 milhões de Reais no Centro da Cidade, região abandonada pela atual administração, e onde a Cracolândia vem se notabilizando e o do número de moradores de rua vem crescendo. É estranho que Kassab só agora comece a ser considerado incompetente pelo jornal, justamente nesse momento, pois até hoje, assim como Serra, o Prefeito tem sido blindado pela mídia paulista (vide as enchentes de São Paulo). Também surpreende a atenção dada pelo Editorial, já que o Estadão, com Dilma se confirmando à frente nas pesquisas,  tem reservado suas manchetes para requentar o denuncismo da Veja para Serra se apropriar no horário eleitoral à noite.

Essa história lembra outra edição do mesmo jornal quando publicou o artigo de Mauro Chaves em 28 de fevereiro de 2009 com o título “ Pará, governador” (leia mais aqui). Era uma critica às aspirações políticas de Aécio Neves de competir com Serra pela candidatura à Presidência. O artigo que insistiu em terminar com a frase”“ Pará, governador” pareceu mais uma mensagem cifrada. A insinuação contra Aécio, que segundo Juca Kfouri foi flagrado de humor alterado, batendo na namorada em uma festa, parece ter feito com que o Governador se sentisse ameaçado com a possibilidade de dossiês sobre sua vida e hábitos pessoais. Sabe-se que o jornal Estado de Minas estaria, neste período, em contrapartida, preparando uma “investigação especial” sobre Serra. Um dos seus jornalistas na época, Amaury Ribeiro Jr., promete lançamento em 2011 de um livro, baseado em documentos obtidos de forma lícita, sobre os bastidores das privatizações quando Serra era Ministro. Naquele período sua filha abrira uma empresa em Miami com a irmã de Daniel Dantas, o mesmo que ganhou muito dinheiro na época, pelo suposto favorecimento de tucanos que hoje se dizem vítimas de quebra de sigilo, ocorridas justamente na época da disputa Serra/Aécio. Com apenas 2 anos de existência, o escritório de Verônica Serra em Miami fechou no mesmo ano em que Serra disputou a eleição contra Lula, em 2002.

Essa guerra de dossiês, de disputas partidárias internas, com a possível utilização de jornais como instrumentos de ameaça, nos deixam com a pulga atrás da orelha. Vamos ver o comportamento de Kassab. Talvez ele só espere as eleições. Talvez se sinta ameaçado e volte atrás. Se não voltar, o que deveremos observar é se cessará a blindagem da mídia. Estou curioso!

O Centro esquecido

 

Prefeitura de SP deixa de aplicar R$ 121 mi no Centro

A Prefeitura de São Paulo tem pelo menos R$ 121,2 milhões na gaveta para projetos que poderiam criar habitações populares, oferecer cursos profissionalizantes e fornecer equipamentos de trabalho para moradores de rua. O dinheiro é quase o total de recursos já investidos neste ano pela Secretaria Municipal de Assistência Social, pasta responsável pelo atendimento aos sem-teto. E a maior parte está disponível há sete anos. Enquanto isso, o Centro vive um problema crônico de crescimento do número moradores de rua. Levantamento da Prefeitura aponta que, de 2000 para 2009, o número de sem-teto subiu de 8 mil para 13 mil.

A maior parte do dinheiro para atacar a questão vem de uma linha de crédito internacional contratada em 2003, quando a Prefeitura fez um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O restante vem do governo federal, que reservou R$ 6,2 milhões para a fornecer máquinas e locais de trabalho para catadores de material reciclável. A prefeitura argumenta que os programas não estão parados e serão concluídos.

O Programa Procentro recebeu linha de crédito de US$ 100,4 milhões do BID para 137 atividades, segundo prestação de contas disponível nos sites da prefeitura e do banco. Desse total, dez programas estão em andamento no momento. A lista aponta que 57 atividades ainda não tiveram início. O montante ainda disponível é de US$ 65 milhões (R$ 115 milhões). Entre as atividades que não começaram está a execução de obras para transformação de cortiços em habitações de interesse social (HIS), moradias tidas como essenciais para a melhoria do centro - tem recursos previstos em R$ 1,1 milhão. A recuperação de edifícios para o mesmo fim tinha R$ 7,2 milhões reservados. Há também projetos em áreas de infraestrutura urbana, como serviços de melhoria do trânsito e do transporte público.

Outro lado

A prefeitura contesta os dados do próprio site sobre o número de atividades em andamento no programa de revitalização do centro. Diz que seriam 117 atividades, não 137, como diz a página na internet. Mas a nota da Secretaria de Desenvolvimento Urbano não explica o motivo da diferença de números.

O texto diz que parte do dinheiro parado no BID já foi solicitada ao banco internacional - "US$ 66,4 milhões (66,1% do total) foram contratados até 31 de julho, faltando comprometer US$ 33,9 milhões (R$ 58,2 milhões)", afirma a nota. A secretaria informa ainda que o remanejamento de recurso não vai comprometer a execução dos serviços. "A movimentação orçamentária não afetará financeiramente, tampouco a execução das ações programadas, ou seja, a verba permanece inalterada."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Saneamento básico: Serra acusa governo federal mas tem telhado de vidro

Publicado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha do Viomundo – O que você não vê na mídia:
13 de setembro de 2010 às 21:20
por Conceição Lemes

Sabesp: saúde, qualidade de vidatotal responsabilidade e respeito aos consumidores, às comunidades e ao meio ambiente, sustentabilidade, conforto, bem-estar, compromisso com as futuras gerações, com a flora e fauna, compromisso a vida e com o meio ambiente, a vida tratada com respeito.

É com slogans como esses que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo se apresenta ao Brasil inteiro. Ela é responsável pelo fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos de 366 municípios do estado, entre os quais os 39 da região metropolitana, que inclui a capital.

Mas, em época de estiagem, quem passa pelas marginais do Tietê, Pinheiros ou Tamanduateí, jamais esquece. Esses três rios que cortam a cidade que sedia a Sabesp têm cheiro de esgoto, assim como a maioria dos córregos de São Paulo.

Frequentemente o bode expiatório é a população pobre, que mora em favelas. A senha: ligações clandestinas de esgoto. Há até disque-denúncia.

Com 15.177 mil funcionários, a Sabesp tem faturamento anual de quase R$ 7 bilhões. Seu controle acionário é estatal. A maior parte das ações pertence ao governo paulista.

Sua missão: Prestar serviços de saneamento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente.

“A Sabesp entende sua responsabilidade como empresa cidadã, que trata e beneficia o mais importante recurso natural que existe [a água]”, diz em seu site. “Por isso, estabelece diretrizes para a gestão ambiental e desenvolve soluções que contribuem para o desenvolvimento sustentável.”

NAS CASAS, EMPRESA EXIGE LIGAÇÃO SÓ PARA ESGOTO

A Sabesp exige ligação exclusiva para o esgoto doméstico; ele não pode ser misturado à água pluvial.

Por isso, geralmente saem das residências duas tubulações. Uma, leva a água da chuva (do telhado, quintal, jardim) até o meio-fio, ou sarjeta. Pelas bocas de lobo, essa água segue para as galerias de águas pluviais. Daí, para rios e córregos.

A outra tubulação (chama-se ramal) transporta água de pia, tanque, vaso sanitário, chuveiro, máquina de lavar roupa. Subterrânea, ela sai da calçada e vai até a rede coletora de esgoto, que pode estar no próprio passeio, no meio da rua ou na calçada do outro lado da rua.

Em princípio, essa rede coletora de esgoto deve se ligar a tubulações progressivamente maiores (coletores-tronco e interceptores), que se conectam à estação de tratamento de esgoto (ETE).

O destino final dessa água com fezes, urina, sabão e outros detritos deve ser uma ETE, para receber tratamento físico e químico.  Só depois ela pode ser jogada em rio, córrego ou empregada para reuso planejado. Por exemplo, lavar a rua em dias de feira e refrigerar equipamentos, situações que não exigem água potável, apenas que seja limpa.

Esse é o procedimento adequado tanto do ponto de vista sanitário quanto ambiental.

O TESTE EM QUATRO REGIÕES DA CAPITAL PAULISTA

O Viomundo resolveu investigar se a Sabesp faz o que exige da população.

Durante dois dias, ambos ensolarados e sem chuva há um bom tempo, participamos de um teste. Despejou-se corante (vendido em bisnagas em lojas de material de construção) na caixa doméstica de esgoto (fica na calçada, bem próxima à porta do imóvel, cada um tem a sua) ou no vaso sanitário de residências em quatro regiões da capital paulista, com algum córrego próximo.  Todas possuem esgoto e pagam pelo serviço à Sabesp. Tomou-se o cuidado de confirmar previamente essas informações.

Objetivo do teste: verificar se a tintura expelida em meio à descarga doméstica chegaria a pontos de lançamento (canos) em córrego na vizinhança. Fotografamos antes e depois.  Veja o que aconteceu em cada região.

REGIÃO 1

Engloba as ruas Combatentes do Gueto, Engenheiro Janot Pacheco, José Ferreira Guimarães e Pedro Gomes Cardim, as praças Vinícius de Moraes, Santos Coimbra e avenida Vicente Paiva. Também as ruas Marcelo Mistrorigo, José Pepe, Rafael Ielo e Cordisburgo.

O córrego passa canalizado sob um condomínio, depois corre a céu aberto num pequeno trecho. Fica paralelo a uma viela, na altura da rua Salim Izar com  Guihei Vatanabe.

REGIÃO2

Inclui, entre outras, as ruas Tomazzo Ferrara, Salim Jorge Eid, Gregório Ramalho, Maria Andressa de Abreu, Boto Cor de Rosa, Américo Salvador Novelli, Campinas do Piauí e Barros Cassal.

O córrego corta a Tomazzo Ferrara, que fica acerca de 50 metros da Boto Cor de Rosa.

REGIÃO 3

Abrange ruas, como Mario Lago, Antonieta Altenfelder, País Natal, Paulo Lincoln do Valle Pontin, Antonio César Neto, e avenida Luis Stamatis.

O córrego cruza a Mario Lago e passa atrás de uma escola da Prefeitura.

REGIÃO 4

Dela fazem parte as avenidas Doutor Lino de Moraes Leme, Jornalista Roberto Marinho e Pedro Bueno, a praça Durval Pereira, as ruas Cláudio Mendonça, Simões Pinto, Dr. Mário Mourão e  Nicolau Zarvos.

O córrego cruza a Lino de Moraes Leme (na esquina tem um posto de gasolina) e desemboca no piscinão da Roberto Marinho. Ele tem dois pontos de lançamento muito próximos, ficam a uns 10 metros um do outro.

PALÁCIO DOS BANDEIRANTES NÃO TEM ESGOTO TRATADO

Nas quatro regiões pesquisadas pelo Viomundo, o corante chegou ao córrego próximo alguns minutos depois.

“Isso demonstra que o esgoto das quatro áreas é coletado mas não tratado”, alerta engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, que durante 30 anos foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP. “Se fosse tratado, o corante não iria parar no córrego.”

“Nem o ninho-mor dos tucanos escapa”, avisa um funcionário da Sabesp, que, por motivos óbvios, pediu para não ser identificado. “Durante os 12 anos em que foi ocupado por Geraldo Alckmin e os quase quatro por José Serra, o esgoto do Palácio dos Bandeirantes nunca foi tratado. Até hoje a Sabesp joga os dejetos do Palácio num córrego perto.”

O córrego em questão é o da região 1, no coração do Morumbi. Árvores e plantas bonitas em boa parte da margem direita tentam escondê-lo, principalmente  no trecho em que há belas casas do outro lado da rua. Mas o mau cheiro chama a atenção, revelando o que está atrás.

De carro, fica a uns 5 minutos da sede do governo paulista. A área “pega” do Palácio dos Bandeirantes para baixo, incluindo a imensa área verde, em frente — a praça Vinícius de Moraes – e um trecho da avenida Giovanni Gronchi.

O córrego da região 2 está em Itaquera, Zona Leste. Recebe esgoto inclusive da Subprefeitura do bairro, à rua Gregório Ramalho.

O córrego da região 3 situa-se a uns 70 ou 80 metros do prédio da Subprefeitura do Jaçanã, Zona Norte. Passa atrás do CEU Jaçanã, inaugurado há três anos, na gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP).

O córrego da região 4 fica no Jabaquara. Em ambas as margens existe muito lixo.

Na esquerda, há uma favela, destruída parcialmente por incêndio no final de julho. O esgoto in natura corre em valas abertas no chão de terra batida defronte a alguns barracos.

Na direita, apesar do lixo ao longo da margem, a rua que saí, a João de Levy, é asfaltada (há tampões de ferro no chão escrito Sabesp) e as casas são de alvenaria. À medida que se distanciam da borda, são maiores e mais bonitas. O corante foi jogado nesta área.

Consequentemente, tanto o esgoto da margem direita (por ação da Sabesp) quanto o da margem esquerda (por conta das valas feitas por moradores) caem no mesmo córrego.

“E por que fezes não aparecem nas fotos?”, alguém talvez questione, já que retratam lançamentos de esgoto.

Lembram-se de que pela tubulação de esgoto vai água de pia, tanque, vaso sanitário, chuveiro, máquina de lavar roupa? Pois no percurso desse e de outros canos as fezes se dissolvem. Por isso deixam de ser visíveis.

Importante: o destino final do córrego das regiões 1 e 4 é rio Pinheiros; o das regiões 2 e 3, o Tietê.

EMPRESA NÃO INFORMA SE O ESGOTO DESSAS ÁREAS É OU NÃO TRATADO

O Viomundo quis saber então da Sabesp:

* Hoje o esgoto é tratado nestas áreas (listamos os vários endereços pesquisados): SIM ou NÃO?

* Qual o destino do esgoto dessas áreas, uma a uma?

* O que a empresa faz com o esgoto dessas áreas, uma a uma?

“A Sabesp tem uma divisão geográfica por bacias hidrográficas, e não por bairros”, afirma por e-mail, via assessoria de imprensa. E discorre sobre as obras do projeto Tietê, iniciado em 1992 e visa à despoluição do rio. Sobre a fase atual, a terceira, diz:

A 3ª. Etapa – 2009 a 2015 – São Paulo também será beneficiada com o pacote de obras da terceira fase do projeto, iniciado em 2009. As ações se concentram nos bairros localizados nas extremidades da cidade. Socorro, Santo Amaro, Jardim São Luís, Jabaquara, Capão Redondo, Campo Limpo, Rio Pequeno, Jaguaré, Brasilândia, Cachoeirinha, Casa Verde, Freguesia do Ó, Santana, Tucuruvi, Itaim Paulista, Sacomã, Sapopemba, São Lucas e São Mateus são algumas das áreas favorecidas.

A terceira etapa do Projeto Tietê irá até 2015 e prevê investimento de US$ 1,05 bi em toda a Grande São Paulo. No total, três milhões de pessoas serão beneficiadas com o tratamento dos efluentes. A meta, pelo Projeto Tietê é elevar a coleta da RMSP para 87% e o tratamento para 84%, até 2015, nas regiões atendidas pela Sabesp.

A Sabesp, porém, dispõe de mapas detalhados e continuamente atualizados de galerias, tubulações, córregos, pontos de lançamentos, pontos de vistoria, mostrando a situação, rua por rua. Esta repórter teve acesso a eles.  Abaixo uma prova.

Aliás, como operaria, fiscalizaria e estabeleceria metas de coleta e tratamento de esgoto, sem ter a cidade mapeada tão minuciosamente?

“O QUE O VIOMUNDO COMPROVOU ACONTECE NA CIDADE INTEIRA”

A coleta de esgoto da Região Metropolitana, segundo a Sabesp, saltou de 66%, em 1992, para 85%, hoje. E o tratamento foi de 24% para 72%, Na capital, em 1992, “77% do esgoto era coletado e menos de 30%, tratado. Atualmente, mesmo com o incremento de mais 1,5 milhão de habitantes, a coleta está universalizada (excluindo favelas e áreas irregulares) e 75% do esgoto coletado é tratado.”

“Não é verdade”, contesta Ricardo Moretti, professor de Planejamento Urbano da Universidade Federal do ABC. “Os dados divulgados pela Sabesp sobre tratamento de esgoto são inconsistentes. A cada hora ela divulga um com critério diferente.”

O Relatório de Águas Superficiais 2009, da Cetesb, divulgado em julho deste ano, dá-lhe razão. Informa que apenas 44% do esgoto da bacia hidrográfica do AltoTietê é tratado. A bacia engloba 36 municípios e praticamente corresponde à Região Metropolitana de São Paulo. A Cetesb é a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

“O que o Viomundo comprovou acontece na cidade inteira de São Paulo”, denuncia o professor Júlio Cerqueira César Neto. “Na Região Metropolitana, a Sabesp lança in natura, em córregos e rios, a maior parte do esgoto produzido pelas casas que têm esgoto.”

Na prática, a Sabesp faz o que condena na população. Pior é que quem paga a conta não sabe de nada.

A Região Metropolitana, relembramos, é formada por 39 municípios, inclusive a capital. Atualmente, ela tem oito estações de tratamento de água (ETA), que produzem o seguinte volume:

* Alto Cotia – 1.000 litros por segundo

* Baixo Cotia – 900 litros por segundo

* Taiaçupeba – 10 mil litros por segundo

* Cantareira – 33 mil litros por segundo

* Guarapiranga – 14 mil litros por segundo

* Ribeirão da Estiva – 100 litros segundo

* Rio Claro – 4 mil litros por segundo

* Rio Grande – 4,8 mil litros por segundo

Juntas produzem 67 mil litros de água por segundo. Porém, apenas aproximadamente 70% — em torno de 47 mil litros por segundo — chegam às casas, devido a perdas por vazamentos nas redes e/ou ramais.

Aqui, tem de se acrescentar 10 mil litros de água por segundo provenientes de poços. Eles não entram nos cálculos da Sabesp, só que viram esgoto, portanto têm de ser somados. Assim, 47 mil litros mais 10 mil = 57 mil litros por segundo.

Desses 57 mil litros por segundo, 80% — 45,6 mil litros por segundo — iriam para o esgoto. Mas isso se todas as casas abastecidas por água tivessem coleta de esgoto.  Como isso não acontece, em torno de 42 mil litros por segundo vão para o esgoto.

Já as estações de tratamento de esgoto (ETE) são cinco atualmente: Barueri, ABC, Suzano, São Miguel Paulista e Parque Novo Mundo, com capacidade de tratar 18 mil litros por segundo.

“São as mesmas cinco de dez anos atrás”, atenta Cerqueira César. “Porém, a Sabesp só trata14 mil litros por segundo.”

Motivos: falta de coletores-tronco e interceptores em determinados locais e  tubulações desniveladas em outros, impedindo a transferência do esgoto para as estações de tratamento. Neste caso, são obras terceirizadas pela companhia que deveriam garantir a qualidade do serviço, mas não o fazem.

Agora, é só fazer as contas: 42 mil litros (volume que vai o esgoto) menos 14 mil litros (esgoto tratado)= 28 mil litros por segundo de esgoto in natura, jogados nos rios e córregos. Equivalem a 66% do esgoto gerado.

Já pensou tudo isso lançado continuamente no Tietê que, nesta época do ano, tem um curso natural de água de 15 mil litros? São 28 mil litros de esgoto a cada segundo durante as 24 horas dos 365 dias do ano, todos os anos.

Não à toa, na capital, o rio Tietê é praticamente esgoto puro. Já na imensa maioria dos córregos só corre esgoto nos meses de estiagem. As nascentes foram quase todas eliminadas. A população, porém, não é devidamente informada sobre essa situação.

“POLUI RIOS E ‘VENDE’ SAÚDE, PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE”

Experimente perguntar a alguém que mora em São Paulo: Quem você acha que joga esgoto direto no rio Tietê e córregos da cidade? Quem você acha que faz ligação clandestina de esgoto?

Se a pessoa tem bom padrão de vida, quase certamente dará a mesma resposta às duas questões: é quem mora em favelas, os pobres…

Pergunte ainda: E o seu esgoto, você acha que vai para onde?  Provavelmente dirá: o meu vai para uma estação de tratamento.

“São imagens falsas, distorcidas”, desmistifica Moretti. “Não é só o esgoto de pessoas de baixa renda que vai direto para o Tietê e córregos. A maior parte do esgoto da população de melhor poder aquisitivo também está indo in naturapara os rios.”

“Assim como Serra e Kassab se equivocaram ao culpar o povo pelas enchentes”, observa Cerqueira César, “a Sabesp zomba da nossa inteligência ao relacionar as ligações clandestinas à poluição dos rios, desinformando a sociedade.”

Primeiro, porque ligação clandestina no imaginário popular é “coisa de pobre”, favela.

Segundo, já que a tarifa de esgoto vem na conta de água, a pessoa acha que ligação clandestina é a do outro.

Terceiro, o que a Sabesp realiza em toda casa com esgoto é a coleta, que os técnicos chamam de afastamento. É tirar o esgoto da tua porta e despejar na dos vizinhos — subterraneamente, claro. Isso também contribui para a pessoa não ter noção do que acontece depois e achar que o esgoto dela está sendo tratado.

“Mas não está”, avisa o funcionário da Sabesp, que nos pediu anonimato.  “O que a companhia faz principalmente é afastar o esgoto da sua porta e ir jogando adiante até chegar ao rio ou córrego mais próximo.”

“E as ligações clandestinas?”

Realmente, por desinformação ou astúcia, há quem ligue o esgoto na rede pluvial.

“Mas é minoria”, afirma o professor Moretti. “Historicamente boa parte das conexões para jogar esgoto nas galerias de águas pluviais, nos rios e córregos é obra da própria Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo.”

“A Sabesp é a grande poluidora dos rios e córregos e não a população”, adverte o professor Cerqueira César. “Depois, zelosa, ‘vende’ nos comerciais que está preocupada com saúde, bem-estar, qualidade de vida e meio ambiente. Piada total.”

“A Sabesp vende uma imagem de eficiência ambiental que não condiz com a realidade, é um desserviço”, acrescenta Moretti. “Só mesmo alguém anestesiado pelos meios de comunicação pode acreditar nessa propaganda enganosa.”

FALTA DE TRANSPARÊNCIA NA CONTA: COLETA E/OU TRATAMENTO?

A Sabesp cobra os serviços de esgoto na conta de água. Na Região Metropolitana, o valor é o mesmo que o da água consumida.

“A Sabesp cobra pelo tratamento e distribuição de água e pela coleta de esgotos”, informa a assessoria de imprensa. “A companhia não cobra pelo tratamento de esgoto.”

Curiosamente, a conta não informa em NENHUM lugar se a quantia diz respeito à coleta e/ou tratamento. Tampouco dá para saber pela conta se o esgoto da tua casa é tratado ou não.

No próprio site da empresa, a informação não é facilmente achada. São necessárias algumas operações para localizar explicações sobre a conta.

Mais detalhada só encontramos nos comunicados sobre tarifas, inadequados para o consumidor comum.

A propósito:

* Por que essa informação não é explicitada na conta?

* A falta de transparência não fere o Código de Defesa do Consumidor?

* E a população sem acesso à internet, como fica?

* É justo quem não tem esgoto tratado pagar a mesma tarifa que aquela pessoa que tem?

* Por que a tarifa não é diferenciada para quem esgoto tratado e quem não tem?

* Qual a engenharia financeira para não cobrar o tratamento, já que exige tecnologia e custa muito caro, diferentemente do afastamento?

Como nada é de graça, a repórter quis mais detalhes da cobrança. Até porque saneamento implica abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto.

“A companhia não cobra pelo tratamento de esgoto”, reiterou a assessoria de imprensa, aí acrescentando. “O Decreto Estadual nº 8468/76 determina que todo esgoto coletado seja tratado antes de ser despejado nos rios. O link para o decreto é este: http://www.cetesb.sp.gov.br/Institucional/documentos/Dec8468.pdf .”

“Quem paga a conta, não sabe, pois a Sabesp apresenta as informações de forma tortuosa para que a população não tenha acesso pleno a elas”, critica Cerqueira César.  “Ao omitir na conta que o valor se refere apenas à coleta, a Sabesp passa a impressão de que se refere à coleta e ao tratamento.”

“A Sabesp somente poderia cobrar pelo serviço de esgoto quando ele estivesse completo, ou seja, coleta-transporte e tratamento, conforme exigência do Decreto 8468/76”, prossegue Cerqueira César. “Toda essa cobrança que ela vem fazendo há anos me parece totalmente ilegal.”

“Essa nebulosidade talvez seja para não ser apanhada pelo Código de Defesa do Consumidor, já que recebe pelo tratamento de esgoto e não entrega o serviço em boa parte das casas da Região Metropolitana”, conjectura Moretti. “De outro lado, se explicitar que é só coleta, a população passará a exigir o tratamento. Do jeito que está hoje, ninguém se lembra do tratamento, logo não há pressão social pelo serviço. É uma situação cômoda para a companhia.”

INVESTIMENTOS CAÍRAM, GASTOS PUBLICITÁRIOS AUMENTARAM

Nos últimos dez anos, segundo Cerqueira César, a Sabesp não investiu nada em estações de tratamento de esgoto e muito pouco em coletores-tronco e interceptores.

Aliás, em 2009, os investimentos tiveram um corte de quase R$ 300 milhões em relação aos R$ 2,133 bilhões previstos. Portanto, 14,5% a menos.  De 2000 para cá, os cortes chegaram a quase R$ 1 bilhão. Isso representa 11% a menos do calculado. Investimento diz respeito basicamente aos gastos com obras.

Em compensação, os gastos de publicidade tiveram um crescimento de 483% no governo José  Serra. Os contratos anteriores a junho de 2008 eram de R$ 12 milhões por ano, enquanto os novos chegam a R$ 70 milhões.

De 1995 a 2009, (gestão dos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra), a receita operacional líquida da Sabesp foi de R$ 98,153 bilhões em valores corrigidos pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas.  Já o lucro nesse mesmo período foi R$ 9,236 bilhões, também corrigidos pelo IGP-DI.

Esses dados baseiam-se no orçamento do Estado de São Paulo e nos balanços da própria Sabesp.

Conclusão: se a empresa não investiu como deveria no tratamento de esgoto, não foi por falta de dinheiro, mas por opção de gestão.

“A Sabesp está preocupada com os lucros dos acionistas e com a sua saúde financeira invejável”, observa Cerqueira César. “Não está nem aí para os usuários.”

“A população está sendo lesada”, ressalta o professor Ricardo Moretti. “Há prejuízos à saúde pública, pois expõe as pessoas a rios contaminados. Há também prejuízo ambiental à medida que os córregos urbanos carregam esgoto para os mananciais.”

“Jogar esgoto in natura nos rios é crime ambiental”, condena o professor Júlio Cerqueira César Neto. “Uma  irresponsabilidade cívica de um tamanho que eu nunca vi na vida.”

O crescimento desordenado da Barra Funda

Do Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, seg, 13/09/2010 - 18:20

Por Miro Klaus

A ganância destrói a cidade de São Paulo

Matéria do Estadão afirma que a Barra Funda receberá, nos próximos 5 anos, mais 30 mil habitantes e que o Bairro, entre outras coisas, não tem infra-estrutura suficiente; sofre com enchentes e não tem áreas verdes. Mais à frente, informa que em apenas um terreno ali existente serão construídos 3 mil apartamentos. Isso será feito em uma área que era da Telesp e foi (comentário meu) "dado à Telefônica na privatização" e esta vendeu a uma empreiteira pela bagatela de R$ 135 milhões. A propriedade tem 250 mil metros quadrados, equivalente a 1/6 do Ibirapuera (que possui 1,5 milhão de M2) e é considerada - segundo a matéria - uma das maiores e derradeiras glebas vazias da cidade de São Paulo.

Esta é apenas uma das grandes obras programadas para aquela região, justamente ali onde a Marta Suplicy queria fazer um bairro projetado, com preocupações ambientais bastante sofisticadas, e que o Kassab jogou o projeto na lata do lixo. A região da Marques de São Vicente é cheia de áreas vazias, usada há muito tempo como estoque de terrenos a espera de valorização. Agora chegou a hora de aproveitar a maré da oferta de empréstimos para habitação e ganhar muito dinheiro.

Outro dia se falava aqui dos problemas relativos ao Parque da Água Branca que fica ali naquela região e agora a matéria informa que há carência de áreas verdes na Barra Funda. Há poucos anos os especuladores destruíram a fábrica Matarazzo na calada da noite temendo a desapropriação do conjunto histórico e agora ali surgem prédios e mais prédios. Os especuladores não medem esforço e dinheiro para fazer o que bem entendem na cidade.

Neste momento, sabendo dos problemas da região, não era para a prefeitura se preocupar com isso? Não era para ela agir de alguma forma para preservar ao menos uma parte daqueles terrenos para ter por ali uma pequena área verde? Claro que não, essas pessoas que ai estão no poder municipal têm alguma coisa a dizer sobre isso? Claro que não. E olha que ali tem grandes "defensores" de assuntos ambientais, entre ele o ex-Eduardo Jorge – Secretario de Meio Ambiente, que gosta mesmo é de andar de bicicleta, que nunca disse a que veio... Ah, tem a monja Sonia Francine, que era a administradora zen noção nenhuma da Lapa...

É de chorar, não acham!?

Do Estadão

Sem investimentos, Barra Funda vai ganhar 30 mil moradores em 5 anos

30 prédios com 3 mil unidades são apenas um dos lançamentos previstos na região, que ainda espera obras da Operação Água Branca

de setembro de 2010 | 0h 00

Rodrigo Brancatelli - O Estado de S.Paulo

A Barra Funda, bairro da zona oeste de São Paulo que convive com a ausência de melhorias na infraestrutura, com engarrafamentos, enchentes e falta de áreas verdes, vai ganhar mais 30 mil moradores nos próximos cinco anos, o dobro do que possui hoje, segundo levantamento feito pela reportagem com base nos processos de obras na Prefeitura.

É como se a Barra Funda ganhasse uma população equivalente à de Socorro ou Serra Negra, mesmo sem obras viárias, construção de novas ligações de esgoto ou novos piscinões para dar suporte ao crescimento demográfico - hoje o bairro tem 15 mil habitantes.

O maior empreendimento ficará em um antigo terreno da Telefônica, considerado uma das maiores glebas vazias de São Paulo, de 250 mil metros quadrados, arrematada em 2007 por R$ 135 milhões. Faltam apenas alguns detalhes sobre o loteamento da área para o lançamento do enorme condomínio - serão 30 prédios com 3 mil unidades, além de um parque com aproximadamente 50 mil m². O plano da construtora é erguer um genuíno bairro no terreno, com centro para o comércio de conveniência, ruas e pequenas praças. Outro grande empreendimento ficará em um terreno de 63 mil m² na Avenida Marquês de São Vicente. Serão 27 torres com um total de 2.714 apartamentos, de 45 m², 70 m² e 100 m².

Ainda segundo dados da Prefeitura, outros 12 empreendimentos serão erguidos na região até dezembro de 2015. Para se ter ideia, um terreno que há dez anos valia R$ 50 mil hoje não é vendido por menos de R$ 400 mil. Até o começo do ano que vem, dois lançamentos já levarão quase 2 mil carros a mais para o bairro, o que aumentará o fluxo de veículos em uma das avenidas mais congestionadas da capital, a Francisco Matarazzo. Em horários de pico, chega-se a levar 40 minutos para atravessar os 2,5 quilômetros da via, que liga o Minhocão à Lapa.

Obras. Na década de 1930, técnicos da antiga empresa de urbanização da Prefeitura já traçavam projetos urbanísticos para a Barra Funda, simplesmente porque ninguém queria morar no bairro por causa das enchentes do Rio Tietê. Pesquisando nos arquivos do Estado de 1997 para cá, é possível encontrar ao menos 12 planos que nunca se tornaram realidade - ideias que iam da construção de vários piscinões até a transformação da região na "Puerto Madero" paulistana.

"A Prefeitura fala que vai fazer obras para melhorar o bairro, mas isso é só para trazer mais prédios residenciais, sem que nada seja feito", diz o advogado Edivaldo Godoy, presidente da Associação de Moradores da Barra Funda. "As chuvas estão chegando de novo e nada foi feito para evitar as enchentes, que com certeza ocorrerão, como acontece todo ano. Moro aqui na Barra Funda desde criança, mas atualmente está insuportável. Não dá mais para conversar com a Prefeitura, temos de exigir melhorias, partir para o radicalismo, porque do jeito que está não dá para ficar", queixa-se.

A Prefeitura tem R$ 79,7 milhões para investir exclusivamente em melhorias na região. O volume financeiro é da Operação Urbana Água Branca, que se estende por uma área de 5,4 milhões de m² na Barra Funda, Perdizes e Lapa, e vem das contrapartidas dos 21 empreendimentos comerciais e residenciais que se instalaram no bairro desde 1995. Os recursos seriam aplicados em "melhorias urbanas", mas estão parados.

Os planos criados para a Operação Urbana Água Branca foram todos abandonados - mesmo para o problema das enchentes, o mais emergencial, o governo desistiu do piscinão que seria construído na Avenida Francisco Matarazzo e encomendou um novo estudo, por R$ 4,7 milhões.

Em maio, a Prefeitura afirmou que a operação estava em revisão, para se adequar à legislação federal. Agora, pretende retomar parte dos terrenos onde estão os centros de treinamento do Palmeiras e do São Paulo e desapropriar uma parte do Playcenter.

O sistema viário receberia intervenções para dar fluidez à frota de 27,4 mil carros em 2025 - hoje são 8 mil carros. O problema é o mesmo que dos outros planos já propostos: o projeto ainda precisa de aprovação e não há data definida para isso.

O NOME DO BAIRRO

BARRA FUNDA
ZONA OESTE

Loteado no fim do século 19, o bairro era cortado pelas linhas ferroviárias. Porteiras marcavam os limites. Os rapazes da parte de cima costumavam dizer que a origem do nome estava na Itália, em um local conhecido como Barafonda, que significava muita confusão. Já os de baixo davam como explicação as lagoas que o Rio Tietê formava com a retirada de areia para construções.

PARA LEMBRAR

Megaplano para o bairro foi abandonado

Em 2004, a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Sempla), a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) fizeram um concurso para definir um megaprojeto urbanístico para a Barra Funda. Era a primeira vez que a Prefeitura tomava a iniciativa de agir diretamente no planejamento de um bairro da cidade. Houve 127 inscritos - o desenho escolhido imaginava um bairro com prédios baixos, de no máximo seis andares, com calçadas largas e árvores, em uma distribuição similar à das superquadras de Brasília.

Batizado de "Bairro Novo", ele ficava em uma área equivalente à do Vale do Anhangabaú. A ideia foi adiada pela gestão que a propôs, a de Marta Suplicy (PT), esquecida na de José Serra (PSDB) e abandonada pela de Gilberto Kassab (DEM).

O crescimento desordenado da Barra Funda | Brasilianas.Org

Corrupção é o crime mais combatido por PF, diz estudo

Do Portal Terra:
13 de setembro de 2010 07h07

Estudo apresentado no 7º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, em agosto, aponta que a corrupção é o crime mais combatido pelas operações da Polícia Federal (PF). O autor da pesquisa, Rogério Arantes, professor de ciência política da USP, analisou 600 ações da PF realizadas entre 2003 e 2008. O trabalho demonstra que a corrupção pública é alvo de 22,7%. Segundo o pesquisador, boa parte dos crimes são cometidos nos "balcões de serviços", na ponta mais próxima do cidadão. "O meu estudo chama a atenção para essa corrupção mais periférica, descentralizada", afirma. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Em segundo lugar no ranking das operações da PF aparece o tráfico de drogas (15,2%) e, em terceiro, os crimes de contrabando e descaminho (9,8%). O estudo mostra que as operações da prendem principalmente funcionários públicos que atuam na ponta do sistema. Os servidores federais, como os funcionários da Receita Federal e do INSS, estavam envolvidos em 34% das operações que resultaram na prisão de agentes públicos (de um total de 238 nas quais foi possível identificar o agente preso). Depois vêm policiais civis e militares (22,3%) e, em terceiro lugar, servidores públicos estaduais (12,6%). A primeira categoria de políticos aparece em sexto lugar: prefeitos (3,8% das operações).

Da Redação Terra

Corrupção é o crime mais combatido por PF, diz estudo

domingo, 5 de setembro de 2010

Itaquera espera, em 3 anos, crescer duas décadas

Do Últimas Notícias - MSN Estadão

Por Diego Zanchetta, estadao.com.br, Atualizado: 5/9/2010 0:27

Itaquera espera, em 3 anos, crescer duas décadas

O bairro que São Paulo vai mostrar ao mundo em 2014 tem cara de periferia e espaço de sobra para crescer. Em Itaquera, duas dezenas de conjuntos habitacionais, um comércio de lojas bem simples e indústrias que soltam fumaça preta de suas chaminés remetem a uma zona leste dos anos 1990. Tudo bem diferente da reurbanização que atraiu até a classe média alta para o eixo Tatuapé-Vila Prudente.

Mas, para inveja dos vizinhos emergentes, quem vai aparecer para o mundo daqui a quatro anos é Itaquera. É lá que será erguido o estádio que deve receber a abertura da Copa de 2014. Nos próximos três anos, empresários, pequenos comerciantes e associações de moradores esperam presenciar o que não viram acontecer na região em duas décadas. E a mobilização para garantir a 'chance histórica' de melhorias já começou.

Com 525 mil habitantes, uma população maior que a de Santos - que tem 418 mil moradores -, Itaquera quer aproveitar a construção do estádio corintiano para alavancar obras planejadas nas últimas quatro gestões de prefeitos e governadores. 'Mas só o estádio não vai adiantar nada. Se o governo não fizer a requalificação do sistema viário para integrar de vez a nossa região ao centro e às rodovias, as empresas não vão chegar. E pior: o trânsito bom que ainda temos vai virar um inferno em dias de jogos', alerta Eduardo Pinheiro, de 56 anos, presidente da Associação de Moradores do bairro 15 de Novembro.

Nascido e criado em Itaquera, Pinheiro comanda com os dois filhos a loja de móveis aberta em 1964 pelo pai, José Pinheiro Borges, que deu nome ao trecho da Radial Leste entre Itaquera e Guaianases. 'Esse prolongamento foi uma luta de quase uma década', lembra o comerciante. 'Agora é a vez de lutar por um polo industrial que crie emprego no bairro', acrescenta.

Trabalho. Criar emprego perto de casa, para uma população acostumada a perder pelo menos duas horas por dia no transporte público, é um dos principais desafios. Na capital, segundo dados da Prefeitura, há em média 50 empregos para cada cem habitantes. Em Itaquera, a média cai para 16 vagas para cem habitantes. 'Não dá para transportar uma Santos duas vezes por dia dentro da cidade. Não há metrô ou sistema viário que suporte', afirma o empresário Silvio José Gonçalves, vice-presidente da Associação Cristã de Moços (ACM) de Itaquera.

Dono de uma imobiliária instalada no bairro há 34 anos, Gonçalves lamenta só poder vender apartamentos de conjuntos habitacionais no bairro. O zoneamento de Itaquera, em vigor desde 2004, impede empreendimentos com mais de 25 metros de altura ou oito andares.

'Se construísse hoje imóveis de 100 metros quadrados perto do Parque do Carmo, teria comprador de sobra. Aqui, quem melhora de vida acaba tendo de mudar para o Tatuapé', conta o empresário, que se diz otimista com a chegada do novo estádio ao bairro. 'Mas as empresas só vão chegar quando for concluído o prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego até o Aeroporto de Guarulhos', adverte. O projeto, sob responsabilidade da prefeitura de Guarulhos, prevê uma extensão da via até a região industrial da cidade, passando pela Rodovia Presidente Dutra.

Urbanização. O boom imobiliário e de shoppings centers criou duas 'zonas lestes' desde o início da década, segundo urbanistas e moradores. Da Mooca até Artur Alvim, passando pelo Tatuapé, terrenos ociosos de antigas indústrias foram ocupados por condomínios verticais de classe média.

Nas margens da antiga linha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), 16 favelas removidas desde 2003 deram lugar a novas avenidas cheias de restaurantes, baladas e torres residenciais de 20 andares. Essa reurbanização, contudo, nunca chegou até Itaquera, classificada pelos corretores de imóveis como 'zona leste 2'. 'Com a Copa, é preciso acabar com a divisão entre a 'zona leste pobre' e a 'zona leste rica'. Os avanços do Tatuapé precisam alcançar Guaianases', afirma o comerciante Roberto Takenzo, de 71 anos.

O NOME DO BAIRRO

ITAQUERA

BAIRRO DA ZONA LESTE

Itaquera é referência, antes de tudo, ao Rio Itaquera, localizado naquela área. Depois, o nome passou a identificar todo um bairro. Itaquera vem do tupi e significa pedreira velha: ita (pedra); quera (velha). Pode significar, também, apenas pedreiras ou pedras porque o sufixo 'cuera' forma plural.

Itaquera espera, em 3 anos, crescer duas décadas -  Últimas Notícias - MSN Estadão

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um desabafo pelo meio ambiente

Publico aqui o relato e desabafo da navegante Ligia Mara ao comentar a postagem Aterro é construído em área protegida que publiquei discutindo a notícia do Jornal da Tarde. A reportagem denunciava uma área protegida da Mata Atlântica em São Mateus, Zona Leste sendo transformada em aterro por empresa contratada por Kassab.

Ligia Mara Mencarelli comentou:
Sou integrante do GEAL - Grupo de Educação Ambiental no Local. O grupo tem como objetivo ensinar a importância da preservação do meio ambiente em parques, APAS e demais áreas verdes às pessoas. O grupo se reúne mensalmente para a prática. Somos moradores da Zona Leste e o Morro do Cruzeiro tornou-se nosso santuário. Quando nosso destino é o Morro, fazemos o trajeto, de 18 km na caminhada. Em 22/08 fomos a mais uma de nossas visitas, pois temos como hábito recolher todo o lixo, que lá encontramos. Quando lá chegamos, a decepção foi total. O desmatamento foi intenso. Acredito que as pessoas não estavam conscientes do que seria realizado ali. Achávamos que o CTL não atingiria a Nascente do Rio Aricanduva. A nascente maravilhosa havia se tornado um pequeno veio, que teimava em sair da terra, em meio a montanhas de terra e árvores arrancadas, raízes e cobertura superficial, queimadas. A pergunta é: Quem ganhou com isso? O problema do lixo pode ter sido resolvido por um pequeno espaço de tempo. E a nascente? Não tem importância? Encontrar uma nascente de água potável, em pleno século XXI é comum? Como explicar aos jovens, que por vezes ensinamos a importância da preservação, que a Prefeitura compactua com tamanho crime? Por que não investir em coleta seletiva e educação da população, para que o problema do lixo possa ao menos ser minimizado? Volto a perguntar: se é que alguém pode me responder, quem ganhou com isso?

Morro do Cruzeiro, segundo ponto mais alto de SP, fica a 500 metros do novo aterro (Foto: J.F. Diório/AE)
Morro do Cruzeiro, segundo ponto mais alto de SP, fica a 500 metros do novo aterro (Foto: J.F. Diório/AE)
Marici Capitelli

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CARTA DAS “MÃES DE MAIO” AO I ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

INTERNET NÃO PODE SUBSTITUIR A PRESSÃO DAS RUAS

blog MÃES DE MAIO:
Segunda-feira, Agosto 30, 2010

CARTA DAS “MÃES DE MAIO” AO I ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS
A INTERNET NÃO PODE SUBSTITUIR A PRESSÃO DAS RUASNós, Mães de Maio, escrevemos esta mensagem de agradecimento e reflexão sobre o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.
Em primeiro lugar, com muito respeito e humildade que é o nosso proceder, agradecemos a confiança pelo convite e a calorosa recepção que tivemos de todas e todos os participantes do Encontro. Estamos ainda engatinhando nessa ferramenta que é a blogosfera, a qual acreditamos ser bastante importante para os movimentos sociais e para as comunidades pobres de todo o país. Com ela, já conseguimos romper uma série de barreiras que sempre nos foram colocadas pelos poderosos e pelos detentores do monopólio da comunicação, esta minoria rica e geralmente branca que sempre bloqueou as nossas falas e as nossas idéias de circularem na esfera pública. Porém, há muito o quê avançar...

Débora, das Mães de Maio, participa da Mesa
de Abertura do I Encontro de Blogueiros
Nosso cotidiano, que é o cotidiano da maioria da população, é marcado pelo massacre que o capitalismo sempre fez contra nós: desde as senzalas onde nossos irmãos negros, negras e indígenas eram explorados até a morte; até os tempos modernos, quando a chibata se transformou na ditadura do dinheiro e na farda da polícia. Sempre nos foram renegados todos os direitos fundamentais que qualquer ser humano deveria ter assegurado: a começar pelo Direito à Vida, o Direito de Ir e Vir, o Direito à Saúde, à Moradia, à Educação, à Cultura e à Comunicação Livre.
Nós lutamos por Igualdade de Oportunidades, por Justiça e, sobretudo, pelo Direito de Pensar e Viver em Liberdade. Sabemos que a Democracia que nós vivemos é uma verdadeira farsa, e nós apenas exigimos que ela seja Realizada Plenamente.

O público de blogueiros de todo o país (19 estados) lotou o auditório
Sabemos que temos um longo caminho para construir todas as transformações que o povo pobre e negro das periferias tanto precisam. Mesmo na blogosfera, há muito o quê se avançar no sentido de garantir o pleno acesso à internet e a todas as ferramentas que ela possibilita, visando fortalecer verdadeiros canais de comunicação da periferia com a sociedade como um todo, no país e no mundo. Sem o poder de Voz, de Ação e de Decisão da Maioria, não haverá nunca uma transformação igualitária e justa, inspirada pela Liberdade.

Idéias e Propostas foram discutidas em Grupos de Trabalho
Como propostas imediatas, três das nossas principais bandeiras em relação à blogosfera são:
- ACESSO: A Garantia do Acesso Gratuito à Internet e à Banda Larga para toda a população brasileira, principalmente a população pobre.
- FORMAÇÃO: A estruturação de uma Rede de Oficinas e de Formação, Crítica e Gratuita, que possa efetivamente democratizar a utilização dessas ferramentas (como blogs, sites etc). Orientando também sobre todos os perigos que a mesma blogosfera pode significar.
- SOLIDARIEDADE: Por fim, apoiamos a criação de uma verdadeira rede de blogs, sites, de apoio jurídico gratuito e de apoio material solidário para os efetivos defensores da democracia e da liberdade, visando nos proteger a todos – principalmente quem se encontra mais ameaçado - frente a criminalização dos trabalhadores pobres e dos movimentos sociais. Se a classe trabalhadora não formos solidários entre nós mesmos, ninguém será por nós!

Pelas Ruas do centro de São Paulo, a caminho
do encontro, a Realidade Grita por Justiça!
Apesar de todo o significado do Encontro de Blogueiros e de várias de seuas propostas, sabemos que todas estas medidas necessárias e urgentes não podem criar a impressão e a euforia de que a blogosfera vá substituir a organização popular e a presença cotidiana nas ruas. Sabemos que uma das principais táticas dos poderosos é incentivar que as pessoas fiquem cada vez mais isoladas entre si, dentro de suas casas, reféns do medo do contato direto nas ruas, onde a vida realmente acontece. Este esvaziamento de algumas pessoas das ruas (enquanto elas seguem sendo tomadas por pessoas pobre como nós, descartadas pelo capitalismo, e sem qualquer perspectiva de vida digna), por maiores que sejam as ações virtuais, gera a reprodução das desigualdades, das injustiças e da falta de liberdade efetiva no cotidano. Para nós da periferia, isso significa a ampliação da estigmatização, do terror e da impunidade perpetuada contra nós ao longo de todo a história. As ruas passam a ser apenas espaços de passagem, de compras e da violência contra nós que as ocupamos.
As Mães de Maio defendem que o prêmio "O Corvo" deve ser dado a todos os Corvos do Estado,
responsáveis pelos Crimes de Maio e pelo terror cotidiano nas Periferias de nosso país
Por fim, continuamos repudiando as políticas e práticas de Segurança Pública no Estado de São Paulo. O troféu “O Corvo”, que foi dado à Judith Brito como uma das principais representantes da “Ditadura da Mídia” em nosso país, deveria ser dado também a todos Os Corvos que foram e são os responsáveis diretos pelos Crimes de Maio de 2006 e pelos massacres cotidianos nas periferias de todo o país. De nossa parte, convocamos a todas e todos os blogueiros que participaram do Encontro, que se somem na blogosfera e nas ruas, na luta pela Verdade e por Justiça referente aos Crimes de Maio de 2006 e a todos os crimes similares que representam uma verdadeira “ditadura continuada” em plena era da democracia brasileira. Sem pressão popular não haverá os desarquivamentos, os julgamentos e as devidas punições de todos os agentes de estado responsáveis pelas matanças de ontem e de hoje!

Mães de Maio e Rede Contra Violência (RJ) nas Ruas
protestando pelos 4 anos de impunidade dos Crimes de Maio
Seguiremos lutando cotidianamente, nas ruas, na internet e aonde for, para que o Amanhã Seja Livre!
Muito Obrigada a Todas e Todos pelo Respeito, pelo Carinho e pelo Fortalecimento de nossa Luta! Esperamos que, cada vez mais, ela seja uma Luta de Todos Nós!
SEGUIREMOS ATENTAS, CONECTADAS E PRONTAS PRA LUTAR!
VIVA A PRESSÃO POPULAR!
MÃES DE MAIO
- MÃES DE MAIO -: CARTA DAS “MÃES DE MAIO” AO I ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O crack, a campanha e a realidade paulista | Viomundo - O que você não vê na mídia

27 de agosto de 2010 às 10:37

O crack, a campanha e a realidade paulista

por Luiz Carlos Azenha

Será que aquele jatinho do Jornal Nacional vai pousar em Congonhas e visitar o centro de São Paulo?

Se for, encontrará este cenário na chamada cracolândia:

No entanto, quem não mora em São Paulo — ou quem mora e nunca passou pela cracolândia — fica imaginando que aqui o problema foi resolvido e que os tucanos pretendem “exportar” uma solução paulista para outros lugares do Brasil.

A cracolândia no centro de São Paulo, diga-se, não é um fenômeno novo, que não pudesse ter sido enfrentado com uma solução criativa. É bom saber que pelo menos agora tem gente despertando para o problema.

Do Diário de Pernambuco:

26/08/2010 | 20h58

Monica Serra aposta na simpatia para conquistar eleitores para o marido

A simpatia de Monica Serra contrastou com o comportamento geralmente sizudo do marido, o presidenciável tucano José Serra. Em visita ao Recife, hoje, Monica encontrou lideranças comunitárias no Clube das Pás e desfilou com chapéu de palha com a bandeira de Pernambuco, que recebeu de presente da artesã Rose Presbítero.

Ao falar sobre o combate ao crack, uma das bandeiras da campanha do marido, Monica defendeu a criação de clínicas especializadas no serviço público de saúde. “O tratamento, hoje, só existe em clínicas particulares”, declarou.

A esposa de Serra aproveitou a visita para condenar a violação de sigilo de quatro pessoas do PSDB ligadas a Serra. “Isso é caso de polícia. Se nada for feito, estamos numa ditadura”, afirmou.

Monica também defendeu o Bolsa Família e afirmou que o programa foi derivado de um projeto semelhante desenvolvido na gestão de Fernando Henrique Cardoso como presidente da República. Ela reforçou o discurso do marido, que diz que vai dobrar o valor destinado ao programa.

Pela manhã, Monica visitou a ONG Casa de Passagem, a Fundação Altino Ventura e a Casa da Cultura.

Do Zero Hora:

Eleições | 23/08/2010

Serra quer criar clínicas para dependentes químicos

Em Sorocaba, candidato tucano afirmou que fará mudanças em pedágios federais

Candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse nesta segunda-feira que, caso seja eleito, vai criar clínicas para tratamento de dependentes químicos, viciados em drogas e álcool.

Segundo Serra, o combate às drogas é um assunto fundamental para o país.

— O crack no Brasil de hoje é uma verdadeira desgraça. Tem que ser combatida a entrada de cocaína pelas fronteiras, coisa que o governo federal não fez adequadamente. Tem que ser combatido o tráfico e tem que ter um processo educacional para afastar a juventude das drogas — defendeu o candidato, após participar de uma caminhada de pouco mais de uma hora pelas ruas do centro da cidade de Sorocaba, a 90 quilômetros da capital.

Serra também afirmou que fará mudanças nos pedágios federais:

— Os pedágios federais hoje são inclusive uma fraude. Não tiveram investimento nenhum nas rodovias federais — afirmou.

PS: As fotos foram tiradas por colaboradores do blog que não querem se identificar.

O crack, a campanha e a realidade paulista | Viomundo - O que você não vê na mídia

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Alunos especiais lutam por inclusão na rede

Agora São Paulo:

23/08/2010

Alunos especiais lutam por inclusão na rede

Fabiana Cambricoli
do Agora

Giovanna tem 11 anos e, diferentemente dos colegas da mesma idade, cursa o 2º ano do ensino fundamental (antiga 1ª série). Seu horário de saída não bate com o fim do turno da manhã na Emef (Escola Municipal de Educação Fundamental) Professor Aroldo de Azevedo, onde estuda, no bairro do Limão, na zona norte. Enquanto as outras crianças saem às 11h40, a mãe da menina tem de buscá-la às 9h30.

  • 'Rede está se adaptando' (leia abaixo)

A garota tem síndrome de Down e faz parte da lista de 13.533 alunos com necessidades educacionais especiais que frequentam escolas municipais regulares. Em sua maioria, são crianças e jovens com algum tipo de deficiência. O atendimento desses alunos na rede regular é previsto na Política Nacional de Educação Especial, lançada pelo governo federal em 2007, mas, na prática, ainda enfrenta problemas.

"A Giovanna é muito bem recebida na escola, mas a unidade não tem estrutura para atendê-la. Por não conviver com crianças da mesma idade, em vez de progredir, ela está regredindo", reclama a analista de recursos humanos Renata Vieira Pereira, 33 anos, mãe da menina.

Agora São Paulo - São Paulo - Alunos especiais lutam por inclusão na rede - 23/08/2010

23/08/2010

'Rede está se adaptando'

Fabiana Cambricoli
do Agora

A Secretaria Municipal da Educação informou que as escolas construídas a partir de 2005 são acessíveis. As unidades mais antigas já foram reformadas ou vêm passando por adaptações.
Sobre os casos relatados pela reportagem, a pasta informou que a aluna Giovanna Vieira de Souza nunca havia frequentado escola formal antes de matricular-se na Emef Professor Aroldo de Azevedo.
"A criança foi matriculada no 2º ano, para que ela pudesse avançar e, gradativamente, acompanhar os alunos da sua idade", disse a secretaria, em nota. A mãe de Giovanna, entretanto, afirma que ela frequentava escolas privadas.
Sobre o período de permanência da aluna na Emef, a pasta diz que segue orientação médica.
A prefeitura disse ainda que a Emef João Ramos receberá uma rampa e que a higienização do aluno Felipe Schneiberg Duarte, da Emei Bernardino Pimental Mendes, está a cargo das agentes escolares.

'Rede está se adaptando'

domingo, 15 de agosto de 2010

Os carros queimados em São Paulo | Brasilianas.Org

Enviado por luisnassif, dom, 15/08/2010 - 08:56
Por Nilson Fernandes
Do Agora
Veículos são incendiados durante madrugada na zona leste de SP 1151
Carros foram queimados em ruas da zona leste(Foto: Hélio Torchi - SP AGORA)
Diversos veículos foram encontrados queimados na madrugada deste sábado, (14), em pontos da zona leste de São Paulo. Os automóveis foram encontrados nas ruas Adelino de Almeida Castilho na Penha, Gerhardt Holtz no Itaim Paulista e um na Avenida Sapopemba Ponte Rasa.
No início do mês, quatro carros foram incendiados na madrugada desta quarta-feira em São Paulo. O fogo atingiu parte de uma oficina mecânica na zona sul da capital. Quando os bombeiros chegaram, os veículos já estavam destruídos. Ninguém ficou ferido.
Em apenas dois dias, 22 veículos foram incendiados na região metropolitana de São Paulo, entre eles um ônibus que circulava em São Bernardo do Campo. Um suspeito de atear fogo no coletivo foi preso. Com ele, a polícia encontrou munição e coquetéis molotov.
le="text-align: center;">Ataques à polícia
As ações criminosas aconteceram depois dos ataques contra o tenente-coronel Paulo Roberto Telhada, comandante da Rota (tropa de elite da


A polícia apura se há relação entre os últimos carros queimados e os atentados(Foto: Hélio Torchi - SP AGORA)
PM paulista), e a sede do próprio batalhão no último sábado. O caso está sendo investigado pelo departamento de homicídios, que já tem pistas do veículo usado pelos bandidos que dispararam 11 tiros em direção à residência do comandante.
A polícia apura se há relação entre os últimos carros queimados e os atentados.
Os carros queimados em São Paulo | Brasilianas.Org
Ouça a entrevista de Fátima Souza, autora do livro “PCC, a facção”:
PCC perdeu divulgação, não a força
PCC já tem parceiros no México

sábado, 14 de agosto de 2010

Educação SP: propostas tiradas da cartola

Brasilianas.Org:
Enviado por luisnassif, sex, 13/08/2010 - 10:02

16 anos de projeto educacional que deveria ter um mínimo de continuidade. Agora, no apagar das luzes, o governo de São Paulo anuncia uma forma de premiar alunos que participem de aulas de recuperação: pagando a eles.

Ora, essa medida foi tomada de afogadilho e chupada da proposta (polêmica) apresentada por Antonio Anastasia em Minas Gerais. O próprio Anastasia me falou dela recentemente, quando me telefonou para rebater críticas ao Centro Administrativo.

São Paulo teve 16 anos de administração do PSDB, quatro de Serra, para adotar práticas inovadoras, propostas novas, modelos eficientes de educação. No apagar das luzes, vem com essa proposta tirada da cartola. Olha se uma medida radical (e polêmica) como essa pode ser tomada por um governador interino, em final de mandato?

Aposto uma cerveja como essa ideia brilhante foi ordem do José Serra, chupando o que ouviu em Minas. Duvido que tenha havido uma discussão anterior sobre ela.

É a inversão da meritocracia: só ganhará a mesada quem piorar a nota para merecer aulas de recuperação. O que bom aluno irá receber de safanão em casa, para parar de ser besta, não está no gibi.

Da Folha

SP paga R$ 50 a aluno que for a reforço de matemática

Projeto abrange estudantes de 6º e 7º ano com dificuldade na disciplina

"Vale-presente" começa a ser testado com 1.200 alunos da rede estadual; dinheiro será entregue para o próprio aluno

ROGÉRIO PAGNAN
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O Governo de São Paulo vai pagar até R$ 50 a alunos do ensino fundamental (11 e 12 anos) com notas baixas que participem de aulas de reforço em matemática -disciplina em que os resultados da rede estadual são piores.
O dinheiro será dado diretamente ao estudante, e não a sua família. O valor é proporcional à presença nas atividades, realizadas duas vezes por semana, em sessões de 90 minutos, por três meses. Se não faltar nenhuma vez, o aluno ganha R$ 50 ao final do período.
Educadores ouvidos pela reportagem mostraram opiniões diferentes sobre o tema. Os mais críticos dizem ver um estímulo para que o aluno tire nota baixa pensando na possibilidade de ganhar o dinheiro e um combate equivocado do problema.
Para outros, trata-se de um bom incentivo para comparecimento ao reforço.
O pagamento a alunos com dificuldade integra o projeto da Secretaria da Educação em que 400 bons estudantes do ensino médio da rede estadual darão tutoria (atividades de reforço) em matemática para 1.200 alunos do 6º e 7º anos.
A gestão Alberto Goldman (PSDB) decidiu dar o "vale-presente" aos alunos com notas baixas para estimular a presença às atividades, que não são obrigatórias.
Durante o desenvolvimento do projeto, levantou-se a possibilidade de que houvesse muitas faltas dos estudantes e até mesmo desistências. Chegou-se a pensar em sorteios de notebooks.
O reforço começa no mês que vem. O projeto é piloto e pode ser ampliado. A rede tem 4,2 milhões de alunos.

MÉDIAS BAIXAS
Exames estaduais e nacionais mostram que matemática é o ponto mais crítico do ensino público, tanto em São Paulo como no país. Na última avaliação paulista, chegou a haver recuo na média no ensino médio.
A Folha conversou com professores da rede, que mostraram preocupação com o pagamento aos alunos. A principal é que eles poderão tirar notas baixas apenas para integrar o reforço e ganhar o dinheiro.
Os participantes do projeto serão escolhidos com base nas notas do Saresp e boletins escolares. As inscrições começaram no dia 4 e terminam hoje, no site www.multiplicandosaber.org.br.
Para isso, é preciso que a escola do estudante tenha sido uma das 441 escolhidas. Os estudantes-tutores ganharão bolsa de R$ 115.
O projeto é financiado pelo governo, Banco Interamericano de Desenvolvimento e parceiros. Também participam a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e docentes da USP.

Educação SP: propostas tiradas da cartola | Brasilianas.Org

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Catadores farão protesto por coleta seletiva em São Paulo

Terra / Política:
Segunda, 9 de agosto de 2010, 08h09

Catadores farão protesto por coleta seletiva em São Paulo

Mariana Desidério
Especial para Terra Magazine


Catadores querem mais empregos e mais conforto no trabalho
(foto: Redação Terra)

Quem acreditava que somente professores e bancários faziam protestos em São Paulo estava enganado. Na próxima quarta-feira, dia 11, a Câmara Municipal de São Paulo deve receber a visita de cerca de mil catadores de material reciclável. Eles planejam uma passeata - a segunda maior da categoria, segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR) - para reivindicar a ampliação da coleta seletiva na cidade, depois de ganharem uma ação na Justiça contra a Prefeitura.

De acordo com o movimento, a cidade de São Paulo recolhe 15 mil toneladas de lixo por dia. Deste montante, apenas 1% é reciclado. A decisão do juiz Luis Fernando Vidal, de abril, obriga a Prefeitura a estender o programa de coleta seletiva para toda a cidade, o que levaria à contratação de mais cooperativas de catadores. A ideia do MNCR é sair da Câmara Municipal e entregar um documento na Prefeitura de São Paulo.

Melhores condições para os catadores também são uma reivindicação. Eduardo Ferreira de Paula, que atua no MNCR de São Paulo e está organizando o ato, diz que as tradicionais carroças, puxadas pelos próprios catadores, não são usadas em estados do Sul do país, como Paraná e Rio Grande do Sul. No lugar delas, os catadores trabalham com carrinhos elétricos. A ideia do movimento é reivindicar estes carrinhos junto à prefeitura. "Nosso trabalho não é só puxando a carroça, tem a alternativa dos carros elétricos como forma de reduzir as condições desumanas", afirma de Paula.

Incineração

O protesto vem logo depois de Lula sancionar a lei que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo o movimento dos catadores, apesar de ser positiva no geral, a lei deixa brechas para a incineração do lixo e esta será uma das bandeiras da manifestação. No caso de São Paulo, os catadores temem que alguns municípios já estejam buscando este caminho, o que ameaça sua fonte de renda.

"O incinerador prejudica tudo. Prejudica a saúde e acaba com a coleta seletiva. Esses resíduos geram a inclusão social, geram renda e trabalho para os catadores. Não podemos deixar que isto seja incinerado,sendo que há uma alternativa de saída e tem toda uma questão de conscientização ambiental. Eles querem gerar energia com a incineração. Aí a gente deixa uma pergunta: pra gerar energia, precisa queimar lixo? Não precisamos", argumenta Eduardo de Paula.

O MNCR estima que existem 800 mil catadores no país e 20 mil apenas na cidade de São Paulo. Sobre a grande diferença entre o número de catadores na cidade e o de previstos para o protesto, Eduardo de Paula justifica: a maioria dos catadores não está organizada.

Terra Magazine

Catadores farão protesto por coleta seletiva em São Paulo - Terra - Política

domingo, 8 de agosto de 2010

Artur Henrique: Como o governo paulista “engana” o SUS

Do blog Viomundo - O que você não vê na mídia – Jornalista Luiz Carlos Azenha
5 de agosto de 2010 às 14:46

Em São Paulo, o SUS luta pela sobrevivência


agosto 4, 2010

do blog do Artur Henrique, presidente da CUT

O Sistema Único de Saúde enfrenta uma série de desafios para atingir de maneira uniforme, em todos os locais em que atua, o padrão de excelência a que se propõe. Sua concepção, abrangência e a prática efetiva da universalidade são reconhecidas internacionalmente como exemplares. E há grande número de casos em que a rede pública chega muito próximo do ideal pretendido.

Mesmo assim, um dos desafios do SUS é romper a insistência com que é retratado quase sempre a partir de notícias negativas. Relativamente, são poucas as ocasiões em que o sistema é apresentado em reportagens que apontem seus muitos acertos. E nunca, ao menos nos grandes meios de comunicação, são denunciados ataques – espécie de sabotagem, poderíamos dizer – a que é submetido, como, por exemplo, o fato de a rede privada de hospitais encaminhar seus clientes ao SUS em casos de alta complexidade, aumentando as filas e fugindo ao que vendem – literalmente – à opinião pública.

Nem fica explícito o fato de o fim da CPMF, que retirou fonte de financiamento do SUS, não ter baixado os preços dos produtos, como prometiam. O empresariado transformou em lucro a redução tributária que conseguiu com a ajuda da oposição ao governo Lula.

Outro caso muito grave de ataque ao SUS, e que merece atenção neste período eleitoral, é a tentativa sistemática dos governos estaduais paulistas, ao longo dos últimos anos, de esvaziar o caráter público do sistema.

Um dos mais notáveis mecanismos dos governos do PSDB em São Paulo é não cumprir de verdade a emenda 29. A emenda determina a aplicação de 12% das receitas do Estado diretamente em serviços de saúde de caráter universal. Para garantir o respeito a este princípio, os movimentos populares de Saúde e o movimento sindical estão pressionando pela regulamentação da emenda com o objetivo de, entre outras coisas, estabelecer de maneira muito clara o que deve ser considerado serviço de caráter universal.

Para simular cumprir os 12%, os governos estaduais tucanos em São Paulo incluem na conta programas como os de distribuição de leite ou o “Alimenta São Paulo”, de distribuição de cestas básicas para famílias de baixa renda. Por melhor que fossem, não são investimentos no sistema público de saúde universal, evidentemente.

Uma das consequências dessa postura é que os municípios são obrigados a investir muito mais do que o determinado pela lei para cobrir a ausência de participação do governo estadual.

A secretária municipal de Saúde de Diadema, Aparecida Linhares Pimenta, informa que a cidade investe 30% de suas receitas na rede pública, quando a emenda 29 recomenda 15%.

Vice-presidente da Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Cidinha, como é conhecida a secretária, denuncia também que, em média, as prefeituras investem 22% das receitas.

Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, afirma que são até 25% empenhados pela cidade, enquanto o governo estadual comparece só com 1%. O restante vem de repasses federais.

Tal descaso vem acompanhado de uma estratégia privatizante que atende pelo nome de Organizações Sociais (OS’s), programa que delega a entidades de caráter privado – fundações, ONG’s e outras – a administração de hospitais públicos, desde o uso do dinheiro que recebem do Estado até a escolha de que tipo de paciente será atendido, terceirizando a gestão. No Estado de São Paulo, já são 27 hospitais públicos entregues a OS’s.

Entre os resultados dessa política, um exemplo recente e escandaloso vem da região do ABC, onde o hospital estadual Mário Covas, gerido por uma OS, suspendeu desde a semana retrasada o atendimento de parto. Sem aviso prévio, sem nenhum tipo de combinação com os prefeitos da região.

As entidades sindicais que atuam no Estado na área da Saúde já fizeram algumas denúncias dessa prática, com sólida documentação. Há casos em que hospitais geridos por OS’s suspendem o atendimento a acidentados, com o objetivo de cortar custos.

Além de desumano e contrário aos princípios da medicina, esse tipo de postura rompe com a lógica do SUS e seus princípios de equanimidade e universalidade.

A gestão dos recursos públicos pelas OS’s não é submetido a controle social. Denúncias de mau uso das verbas e interrupção de atendimentos, quando vêm à tona, acontecem pelo trabalho de sindicatos e de parlamentares, que cruzam relatórios do tribunal de contas e informações colhidas através de investigação militante.

Por fim, desmentindo os ideais de “competência” e “produtividade” dos hospitais geridos pelas OS’s, há relatos impressionantes de gastos suspeitos. Um jornal de grande circulação denunciou, em 2007, que o orçamento das OS’s era em média 13,5% maior que os da administração direta, apesar de ter volume de internações 25,8% menor.

Está na hora de aprofundar este debate.

Artur Henrique: Como o governo paulista “engana” o SUS | Viomundo - O que você não vê na mídia

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