Mostrando postagens com marcador PIG. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PIG. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ministro defende que Dilma regule mídia

Estadao.com.br

Para Franklin, área de comunicações será tema de destaque no futuro governo

08 de novembro de 2010 | 20h 18

    Karla Mendes, de O Estado de S.Paulo

    BRASÍLIA - Ao apresentar ontem os objetivos do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, que será realizado em Brasília hoje e amanhã, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social da Presidência) disse ser "um absurdo" que os artigos sobre comunicação na Constituição estejam há duas décadas esperando pela regulamentação. Para ele, o marco regulatório do setor, de 1962, é incompatível com a nova realidade do País.

    "Ou olha para frente ou a ‘jamanta’ das telecomunicações atropela a radiodifusão", afirmou Franklin Martins. O ministro fez uma comparação entre setores: enquanto as empresas de radiodifusão faturaram R$ 13 bilhões em 2009, as de telecomunicações embolsaram a receita de R$ 180 bilhões.

    O ministro disse que a presidente eleita, Dilma Rousseff, receberá até meados de dezembro um anteprojeto da revisão do marco regulatório das telecomunicações, que tratará também da convergência de mídias.

    "Será uma proposta de regulação flexível, porque a velocidade das transformações tecnológicas nessa área aconselha que se seja pouco rígido e pouco detalhista na lei, (uma vez que) as tecnologias e ambientes de negócios vão mudando. O essencial é que traga os princípios gerais, liberdade de informação, neutralidade, estímulo à competição e à inovação, proteção à cultura nacional, regional", ressaltou.

    Ele não quis adiantar detalhes do projeto, como, por exemplo, se o Brasil seguirá o caminho de países que optaram pela criação de duas agências reguladoras - uma para tratar dos aspectos técnicos dos meios eletrônicos e outra voltada para conteúdo - ou se os dois assuntos serão tratados dentro de uma única agência.

    Censura

    Franklin Martins fez questão de frisar que a regulação do conteúdo não tem nada a ver com censura da imprensa. "Sou contra a censura. E o governo também. Não deve haver na sociedade censura alguma à imprensa. Sou contra, inclusive, o Judiciário censurar a imprensa", enfatizou. O ministro defendeu que a imprensa tenha total liberdade, mas ponderou que isso não quer dizer que "a imprensa está acima da crítica".

    Segundo o ministro, o anteprojeto também vai propor a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam de produção nacional, regional e independente (220, 221 e 222). "É absurdo que, 22 anos depois (da promulgação da Constituição), artigos que dependem de regulamentação não sejam regulamentados."

    A participação de capital estrangeiro nas empresas do setor, no entanto, somente será debatida se a discussão for provocada pelo público. "Já existe uma lei que regulamenta isso", defendeu o ministro.

    Na opinião de Franklin Martins, as fronteiras entre telecomunicações e radiodifusão estão sendo postas em xeque pela convergência de mídias na divulgação do conteúdo e, por isso, é uma questão que tem de passar por um amplo debate com a sociedade. "Só assim poderemos transformar os desafios e as possibilidades em crescimento."

    Três caminhos

    Caberá à presidente eleita dar prosseguimento ou não às propostas apresentadas. Dilma tem três caminhos a escolher. O primeiro: deixar que o próprio presidente Lula tome a decisão e encaminhe o projeto ao Congresso Nacional. A segunda opção é fazer esse encaminhamento durante a nova gestão; ou ainda, definir por não levá-lo adiante. O ministro Franklin Martins, no entanto, demonstrou otimismo quanto à hipótese de as propostas serem encaminhadas, discutidas e transformadas em lei.

    "Da mesma forma que, no primeiro mandato do governo Lula, foi fundamental ter um novo marco regulatório na questão da energia para impedir novos apagões, acho que as comunicações terão um destaque semelhante (no governo Dilma)", enfatizou Franklin Martins. "É necessário que se tenha um novo marco regulatório que dê segurança aos investidores, possibilidade de competição, que permita a inovação, que garanta os direitos dos cidadãos e que promova uma grande oferta de informações e conhecimentos, ingredientes vitais para o exercício da cidadania", defendeu.

    segunda-feira, 8 de novembro de 2010

    Quem quer acabar com o Enem?

    Conheça a guerra entre o MEC e a mídia que quer acabar com o Enem para defender interesses muito específicos. Para entender, leia o que dizem Azenha e Amorim em seus blogs:

    Viomundo - O que você não vê na mídia
    Luiz Carlos Azenha
    8 de novembro de 2010 às 22:46

    As falhas no Enem e os interesses que se movem nos bastidores

    Segunda-feira, 8 de novembro de 2010 às 20:13   (Última atualização: 08/11/2010 às 20:11:35)
    “Prova do Enem é tecnicamente sustentável sob todos os pontos de vista”
    do blog do Planalto
    O governo não pretende anular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010, realizado no último sábado (6/11), e nem refazer as provas para todos os inscritos, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista coletiva à imprensa concedida nesta segunda-feira (8/11), em Brasília (DF). Segundo Haddad, os alunos prejudicados por falhas na impressão em alguns lotes poderão, após a devida apuração por parte do Ministério da Educação (MEC), refazer a prova, sem que haja a necessidade do cancelamento da mesma, uma vez que o princípio da isonomia não foi comprometido.
    O Ministro disse ainda que o MEC irá tentar reverter a decisão da 7ª Vara Federal do Ceará de suspender, em caráter liminar, o Enem. O Ministério irá explicar que o uso da Teoria de Resposta ao Item permite a comparabilidade de provas distintas, possibilitando a realização de um novo exame com “questões de mesmo peso”. De acordo com o Ministro, caso a Justiça Federal do Ceará mantenha a decisão, o MEC irá recorrer em instâncias superiores, pois há, por parte do governo, a segurança de que a prova é tecnicamente sustentável.
    A prova será reaplicada para quem foi prejudicado. A grande vantagem que nós temos é que, como o Enem, desde o ano passado, responde pela Teoria de Resposta ao Item, essas provas são rigorosamente comparáveis e não é necessário anular o exame como um todo… Em um exame com quase 5 milhões de inscritos, se você não adota esse sistema, compromete-se a isonomia da prova.
    Questionado sobre eventuais impactos dos erros de impressão na credibilidade do Enem, Haddad afirmou que a julgar pelo relato de reitores e o aumento em 10% no número de inscritos com relação a 2009, não há razões para acreditar na perda de credibilidade do Enem, que é “irreversível, um caminho sem volta”. O Ministro informou ainda que não há uma data precisa para a reaplicação do teste para os estudantes que foram comprovadamente prejudicados.
    Para definir a data temos que observar o calendário universitário e, segundo, verificar quantos estudantes efetivamente terão que refazer. No ano passado, marcamos para cerca de um mês depois. Essa é a previsão.
    Sobre os custos para a realização de uma nova prova, Haddad explicou que todas as despesas ficarão a cargo da gráfica que realizou a impressão e que há, ainda, previsão contratual para a cobrança de multa.

    PS do Viomundo: As falhas no Enem são lamentáveis. É prato cheio para a oposição, já que estamos falando de milhões de futuros eleitores. Dito isso, é preciso ter em conta os interesses que se movem nos bastidores. São os interesses dos que defendem a perpetuação dos cursinhos e que, em São Paulo, fizeram da Secretaria da Educação um canal de financiamento da grande mídia, como está exposto aqui.

     

    Conversa Afiada
    Paulo Henrique Amorim
    Publicado em 08/11/2010

    Haddad: ENEM não será cancelado !


    O ENEM é o terceiro turno do PiG (*)

    O PiG (*) tenta o Golpe de Estado da Educação.
    O PiG (*) está em pânico diante da bem sucedida batalha de que o Ministro Fernando Haddad desfechou para derrubar a senzala.
    Numa serena entrevista coletiva Haddad anunciou que confia 100% na qualidade técnica do exame e que não há a menor possibilidade de cancelá-lo.
    As provas foram 99,7% corretas num universo impressionante de 4,6 milhões de alunos que pretendem entrar em universidades públicas.
    Em grande parte, pobres, nordestinos e negros.
    Que horror !
    Haddad explicou na entrevista que a gráfica assumiu a responsabilidade e refará o trabalho sem cobrar nada do Governo.
    Haddad disse que, até o momento, o número de prejudicados inicialmente previstos – 1.800 – deve ser até menor.
    Um repórter mencionou que se dizia que a culpa era de um funcionário do Inep.
    Haddad lembrou que no ENEM de 2009 o PiG (*) também disse que a culpa também era de um funcionário do Inep.
    Depois, a investigação da Polícia Federal revelou que o vazamento tinha ocorrido dentro da gráfica da Folha de São Paulo.
    Deve ser por isso que o UOL e a Folha odeiam tanto o ENEM.
    O ENEM tornou-se o terceiro turno da eleição presidencial.
    José Serra tomou uma surra – 56% a 44% – e a elite branca quer refazer o resultado e impedir a ascensão social dos pobres.
    A Casa Grande sente o rufar dos tambores que vem da senzala.
    Viva o Brasil !
    Clique aqui para ler: “Haddad enfrenta a batalha do ENEM em defesa dos pobres”.
    Clique aqui para ler “O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres”.

    Paulo Henrique Amorim

    (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

    domingo, 31 de outubro de 2010

    Folha. Juntando os cacos sem cola

    O papel de Ombudsman em um jornal é principalmente servir como ponto de reflexão e auto-crítica pelo veículo de informação. Nesta campanha, em apenas dois momentos, a Folha resolveu tornar público que se deu conta da existência daquilo que eles tratam como um submundo sombrio, a rede, a internet. Mediante o fato de que a internet vem crescendo como veículo interativo da informação e concorrendo com os meios tradicionais de comunicação, não há de se esperar que a velha mídia possua boas relações com tal novidade. A estratégia tem sido a dos candidatos que estão à frente nas pesquisas: não aceitar provocação e fingir que não é com ele. O primeiro episódio em que a Ombudsman Suzana Singer lembrou que a concorrência incomodava foi no episódio do twiter, quando o movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares ("trending topics") do Twitter em todo o mundo (leia aqui). Os internautas postaram milhares de manchetes falsas contra Dilma como sugestão para a Folha, ridicularizando a manchete claramente eleitoral do domingo 05/09, "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma", em que conforme a própria Suzana, uma semana depois admitia que a Folha avançara o sinal. Esqueceram que a internet permite hoje, o direito de resposta que os jornais negam a seus réus. O vídeo de Dilma respondendo à Folha pipocou de blog em blog (aqui). Ignoraram que a crítica é construída e reconstruída por toda a rede. Substimaram que há formação de opinião além da mídia tradicional e que há reação.

    Mas a auto-crítica de Suzana não mudou a linha editorial da Folha. Mantiveram a atitude de quem está ganhando o jogo. Fingiram que a blogosfera não existe. Sempre preocupados com a panfletagem articulada das denúncias vociferadas contra Dilma por Serra, nunca escreveram uma linha para explicar ao seu público o que o candidato queria dizer com “blogs sujos”. Na última semana de campanha, abandonaram o Titanic de Serra, publicando o escândalo das licitações de cartas marcadas do Metrô, com a expectativa de resgate da credibilidade perdida. Apenas no dia em que se definirá o(a) próximo(a) Presidente da República, com todas as pesquisas indicando 10 ou mais pontos de vantagem para Dilma Rousseff, ou seja com a situação praticamente definida, é que a Folha resolveu lembrar-se novamente da rede. Mas agora é para responsabilizá-la por “boatos” que levaram as pessoas a suspeitarem de que a Folha tinha um lado. A ombudsman, como pode ser lido no post de Nassif, chama delírios anti-imprensa o movimento de índignação e protestos de seus próprios leitores. Ora, como disse Emir Sader em entrevista a Conceição Lemes no Viomundo, “não nos esqueçamos que a dona Judith Brito, executiva da Folha e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse que eles são um partido político.” Otávio Frias Filho, dono da Folha participou do “encontro público (a R$ 500,00 por cabeça) organizado pelo Instituto Millenium” onde os lacaios de Globo, Abril, Folha e Estadão explicitaram os objetivos de impedir a eleição de Dilma Rousseff e a aprovação das deliberaçoes de democratização dos meios de comunicação aprovadas pela Confecom (leia mais aqui e aqui). Não é preciso nem analisar o conteúdo da imprensa para dizer se ela tem um lado. Mas sempre esse papel foi cumprido pela blogosfera como já escrevi aqui. Por que a Folha esperou a Dilma trazer o assunto no debate para falar sobre Paulo Preto? Por que a Folha esperou a advogada de Eduardo Jorge lhe trazer os conteúdos da Polícia Federal quando as informações sobre Amaury Ribeiro Jr. estavam nos sites do Azenha, do Nassif, do Amorim, para não citar outros jornalistas e blogueiros? Por que ao tratar deste assunto, preferiu focar nas supostas ligações de Amaury com a campanha de Dilma, e ignorar as informações do jornalista de que o dossiê e quebra de sigilos foram encomendados por Aécio contra Serra? As informações estavam por aqui. Quem omitiu ou era mal informado ou mal intencionado.

    Mesmo que agora a Folha decida entregar a cabeça de Serra em uma bandeja, dificilmente vai resgatar a credibilidade perdida. Deitaram e rolaram. Passadas as eleições e com seu candidato supostamente derrotado, tentam rapidamente arrumar a casa e limpar os vestígios de seu jogo sujo, como se fosse possível. Ao olharem para a frente, esquecendo ou querendo que esqueçam o que fizeram, dão de cara o fantasma dos Conselhos de Imprensa. A proposta apoiada até por setores do DEM e do PSDB, como disse Jânio de Freitas no artigo também publicado por Nassif, é tratada como chavismo. Se eles vão continuar a fingir que esta blogosfera não existe, eu não sei. Mas com certeza, podem contar conosco em campanha permanente pela implementação das deliberações aprovadas na Confecom.

    sábado, 30 de outubro de 2010

    Veja: Caindo no ridículo

    Talvez por considerar inevitável a derrota de sua campanha, a “revista mais vendida do país”, como costuma se referir o blog TIA CARMELA E O ZEZINHO à edição semanal da editora que mais se beneficiou pelas gestões de Serra em São Paulo, publicou neste fim de semana a capa ao lado. Não se tratou de bala de prata, mas uma tentativa de ridicularizar o Presidente Lula cujo governo ostenta novo recorde de 83% de aprovação. A representante da elite dalémmar, que corresponde a cerca de 3% da população e que acham ruim ou péssimo o governo Lula, passa pelo ridículo papel de expressar o preconceito de classe de seus leitores.

    A Veja em sua versão digital prossegue o brilhante estratagema de “desqualificar” Lula (na compreensão de mundo deles, que fique claro) ao compará-lo com Fidel em gestos e expressões em fotos. Pela mesma lógica que no século XIX se comparava crânios para descobrir personalidades criminosas, o sério estudo trazido pela qualificada reportagem, chega à conclusão óbvia: Lula é um ditador. Após disputar cinco eleições, ser eleito pelo povo em duas, e não mudar a lei para ampliar a possibilidade de reeleição como fez FHC, deveríamos ter desconfiado.

     image

    As conclusões que podemos tirar não param por aí. Nasceu o anti-cristo. E não foi no Brasil. Obama, pelo que indica as fotos pesquisadas pelo Foo, leitor do Nassif, é um ditador também.

    Localizei mais indícios que comprovam esta tese. Assim como Foo, levei cerca de 5 minutos para achar essas provas. Imaginem o que seríamos capazes se estivéssemos sendo pagos para isso.

    A Veja deve achar seu candidato um fofo, não é?

    Para não dizer que jogou a toalha, a revista tenta diminuir o significado de Lula para o país, para a história e para a população. Coisa que o colunista de O Globo, Noblat também tentou em seu blog, mas teve resposta a altura. Resposta que serve aos barões da mídia. E, já que não publiquei antes, segue o texto recebido por e-mail:

    RESPOSTA AO BLOG DO NOBLAT

    Carta aberta de Carlos Moura (aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de “O Globo” Ricardo Noblat.
    http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/de-carlos-moura-com-carinho-para-noblat.html

    ================================================================================================
    Noblat,
    Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?
    Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria, jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos anos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Freqüentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.
    Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.
    O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.
    O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala”, “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.
    As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca. A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar” a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia” do cargo. Ao togado basta o cinismo.
    Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História. E ainda querem que, no final de mandato, o presidente agüente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.
    Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Mônica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.
    A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.
    Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.
    Carlos Torres Moura
    Além Paraíba-MG

    quarta-feira, 27 de outubro de 2010

    Folha, amiga de Serra e da ditadura

    O jornal que “matava” nas manchetes - jonalista leu a notícia da morte do pai, que estava vivo

    O jornalista brasileiro Ivan Seixas soube pela “Folha da Tarde” que o pai ia morrer. Os dois estavam presos no DOI-CODI, em São Paulo, sob tortura. Levado pelos torturadores para a simulação de fuzilamento num parque de São Paulo, ele leu na capa do jornal que o pai, ainda vivo, tinha morrido em confronto. Ivan agora se dedica a denunciar a tortura e diz que barbárie não se combate com barbárie.
    ouça o áudio no Viomundo

    Benevides: O esqueleto no armário - Trecho da conversa da jornalista Conceição Lemes com a socióloga Maria Victoria Benevides.

    Trecho da conversa da jornalista Conceição Lemes com a socióloga Maria Victoria Benevides. Ela começa falando sobre a repercussão do ataque que ela sofreu da “Folha de S. Paulo” por discordar do uso de “ditabranda” para caracterizar o regime militar brasileiro.
    ouça o áudio no Viomundo

    A parceria da “Folha” com a ditadura - A “Folha” prepara-se para atacar Dilma Rousseff – com uma “reportagem  bombástica”. A “Folha” quer mostrar a “Dilma guerrilheira”.

    Quer abrir arquivos, só os arquivos da Dilma (e os outros?) para gerar constrangimentos à candidata.  Ok. Função de jornal não é agradar ninguém. Mas por que a “Folha” não faz o mesmo com o passado de Serra? Como ele viveu no Chile? Por que fugiu do Brasil? Onde foi parar o dinheiro que a UNE tinha guardado num cofre, em 1964, quando Serra presidia a entidade? A “Folha” não quer saber. (…)  Republico, abaixo, entrevista desse Escrevinhador (feita no ano passado) com Carlos Eugênio Paz. Ele foi líder da ALN – uma das organizações que lutaram contra a ditadura, de armas na mão. E  afirma, com todas a letras: “o Sr Frias [pai do atual diretor do jornal] ajudou a financiar a Oban”.
    leia mais no Escrevinhador

    “Folha” demitiu jornalista que estava presa pela ditadura e sob tortura no DEOPS

    No dia 9 de dezembro de 1969, a jornalista Rose Nogueira estava presa no DEOPS de São Paulo, sob a guarda do  delegado  Fleury - conhecido assassino e torturador.
    No mesmo dia 9 de dezembro de 1969, a “Folha de S. Paulo” demitiu Rose por “abandono de emprego”. Parece uma piada de mau gosto. Mas aconteceu.
    leia mais no Escrevinhador

    Sader pergunta à Folha: “Onde você estava em 1964?”

    Como se pode rever pelas reproduções das primeiras páginas dos jornais que circulam pela internet, todos – FSP, Estadão, O Globo, entre os que existiam naquela época e sobrevivem – se somaram à onda ditatorial, fizeram campanha com a Tradição, Família e Propriedade, com o Ibad, com a Embaixada dos EUA, com os setores mais direitistas do país. Apoiaram o golpe e as medidas repressivas brutais e aquelas que caracterizariam, no plano econômico e social à ditadura: intervenção em todos os sindicatos, arrocho salarial, prisão e condenação das lidreanças populares.
    leia mais no Conversa Afiada

    segunda-feira, 25 de outubro de 2010

    O problema da #globomente é o Senado. Ela não vai impedir a Ley de Medios

    Conversa Afiada:
    Publicado em 23/10/2010

    Nunca dantes na História deste país

    Ligo para o Vasco, marinheiro de longo curso, que acabava de atracar na baia de Cabrália.
    - Vasco, e a Globo ?
    - Alguma novidade ?, perguntou ele, invariavelmente cético.
    - Rapaz, o jornal nacional perdeu a compostura. É o Golpe deslavado.
    - Alguma novidade ?, ele insiste.
    - Pêra aí, agora, é diferente: agora até os jornalistas do jornal nacional vaiam o Ali Kamel.
    - Sempre vaiaram, só que não se ouvia.
    - Sim, o Ali Kamel manda muito, mas só faz o que o patrão quer  – ou deixa fazer …
    - Isso é irrelevante, meu filho, disse o Vasco, já impaciente.
    - Como assim, ir-re-le-van-te ?
    - A Globo está diante de um problema que jamais enfrentou.
    - A perda da audiência, me antecipei.
    - Não, meu filho. A perda do Senado.
    - Do Senado ?, perguntei incrédulo.
    - Veja bem, meu filho. Nunca dantes na História desta República a Globo deixou de controlar o Senado.
    - É verdade …
    - Perdeu o controle da Câmara, em algumas instâncias, mas o Senado sempre foi a última linha de resistência dela.
    - É verdade, Vasco, que bom que você voltou de alto mar.
    - A Globo chegou a nomear até seu Senador ad hoc …
    - Sim, o Senador Evandro, chefe do escritório da Globo em Brasília.
    - Ele é tratado de Senador …
    - E agora, Vasco ?
    - Agora, o Lula mudou a composição do Senado.
    - É verdade, não contaremos com grandes tribunos. Aquele do cartão Visa de Paris, o tenho jatinho porque posso, o eterno Marco Maciel … O que ele pensa, mesmo, hein ?  É … o Lula fez um estrago.
    - E aí a Globo perdeu dois movimentos. Primeiro, perdeu a capacidade de fazer leis. E, segundo, perdeu a capacidade de paralisar o Governo no Senado.
    - O que significa … paralisar o Governo …
    - Significa que a Globo perdeu a capacidade de usar o Senado para desestabilizar a República.
    - É verdade.
    - E, portanto, de impedir a Ley de Medios.
    - É verdade !
    - A Dilma vai herdar a maioria que o Lula deixou para ela fazer a Ley de Medios. Ele não fez, mas entregou o legado na bandeja.
    - Vasco, qual foi a cachaça que você tomou em alto mar ? Mineira ou baiana ? Você está impossível !
    - A Globo não vai poder fazer mais aquele ping-pong com o Senado. O Arthur Virgilio Cardoso denunciava, a Globo ia atrás. A Globo denunciava, o Arthur Virgilio Cardoso ia atrás …
    - E com a Veja, com a Folha (*) …
    - A última arma que resta à Globo é o jornal nacional.
    - E o Ali Kamel.
    - Debaixo de vaia.
    Pano rápido.
    Clique aqui para ler “Bendito 2.o turno”.
    Paulo Henrique Amorim

    Às favas a verdade factual

    Nunca na história eleitoral brasileira a mídia nativa mostrou tamanho pendor para a ficção.

    Por Mino Carta.
    Foto: reprodução

    Nunca na história eleitoral brasileira a mídia nativa mostrou tamanho pendor para a ficção

    Há quatro meses CartaCapital publicou a verdade factual a respeito do caso da quebra do sigilo fiscal de personalidades tucanas. Está claro que a chamada grande imprensa não quer a verdade factual, prefere a ficcional, sem contar que em hipótese alguma repercutiria informações veiculadas por esta publicação. Nem mesmo se revelássemos, e provássemos, que o papa saiu com Gisele Bündchen.

    Furtei a expressão verdade factual de um ensaio de Hannah Arendt, lido nos tempos da censura brava na Veja que eu dirigia. Ela é o que não se discute. Diferencia-se, portanto, das verdades carregadas aos magotes por cada qual. Correspondem às visões que temos da vida e do mundo, às convicções e às crenças. Às vezes, às esperanças, às emoções, ao bom e ao mau humor.

    Por exemplo: eu me chamo Mino e neste momento batuco na minha Olivetti. Esta é a verdade factual. Quatro meses depois da reportagem de CartaCapital sobre o célebre caso, a Polícia Federal desvenda o fruto das suas investigações. Coincide com as nossas informações. O sigilo não foi quebrado pela turma da Dilma, e sim por um repórter de O Estado de Minas, acionado porque o deputado Marcelo Itagiba estaria levantando informações contra Aécio Neves.

    Nesta edição, voltamos a expor, com maiores detalhes, a verdade factual. E a mídia nativa? Desfralda impavidamente a verdade ficcional. Conta aquilo que gostaria que fosse e não é. Descreve, entre o ridículo e o delírio, uma realidade inexistente, porque nela Dilma leva a pior, como se a própria candidata petista fosse personagem de ficção. Estamos diante de um faz de conta romanesco, capaz talvez de enganar prezados leitores bem-postos na vida, tomados por medos grotescos e frequentemente movidos a ódio de classe.

    Ao sabor do entrecho literário, pretende-se a todo custo que o repórter Amaury Ribeiro Jr. tenha trabalhado a mando de Dilma. Desde a quarta 20, a Folha de S.Paulo partiu para a denúncia com uma manchete de primeira página digna do anúncio da guerra atômica. Ao longo do dia, via UOL, teve de retocá-la até engatar a marcha à ré.

    Deu-se que a Polícia Federal entrasse em cena para confirmar com absoluta precisão os dados do inquérito e para excluir a ligação entre o repórter e a campanha petista.

    Edição 619O recorde em matéria de brutal entrega à veia ficcional cabe, de todo modo, à manchete de primeira página de O Globo de quinta 21, obra-prima de fantasia ou de hipocrisia, de imaginação desvairada ou de desfaçatez. Não custa muito esforço constatar que o jornal da família Marinho acusa a PF de trabalhar a favor de Dilma, com o pronto, inescapável endosso do Estadão. Texto da primeira página soletra que, segundo “investigação da PF, partiu da campanha de Dilma Rousseff a iniciativa de contratar o jornalista”. Aqui a acusação se agrava: de acordo com o jornalão, o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, a quem coube apresentar à mídia os resultados do inquérito, é mentiroso.

    Seria este jornalismo? Não hesito em afirmar que nunca, na história das eleições brasileiras pós-guerra, a mídia nativa permitiu-se trair a verdade factual de forma tão clamorosa. Tão tragicômica. Com destaque, na área da comicidade, para a bolinha de papel que atingiu a calva de José Serra.

    A fidelidade canina à verdade factual é, a meu ver, o primeiro requisito da prática do jornalismo honesto. Escrevia Hannah Arendt: “Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece, e que acontece porque é”. Este final, “porque é”, há de ser entendido como o registro indelével, gravado para sempre na teia misteriosa do tempo. A verdade factual é.

    Dulcis in fundo: na festa da premiação das Empresas Mais Admiradas no Brasil, noite de segunda 18, o presidente Lula contou os dias que o separam da hora de abandonar o cargo e deixou a plateia de prontidão para as palavras e o tom do seu tempo livre pós-Presidência. Não mais “comedido”, como convém ao primeiro mandatário. E palavras e tom vai usá-los em CartaCapital. Apresento o novo, futuro colunista: Luiz Inácio Lula da Silva.

    Por enquanto, ao presidente e à sua candidata não faltou na festa o apoio de dois qualificadíssimos representantes do empresariado. Roberto Setubal falou em nome dos seus pares. Abilio Diniz, de certa forma a representar também os consumidores, em levas crescentes na qualidade de novos incluídos.

    A mídia nativa não deu eco, obviamente, a estes pronunciamentos muito significativos.

    sábado, 23 de outubro de 2010

    O grande debate político eleitoral e o patético Serra

    Do Sátiro-Hupper
    Debate Político Nacional


    (...)

    "A campanha eleitoral de 2010 está seguindo um roteiro escrito e planejado por algum discípulo (bêbado e chapado) do surrealismo. Só pode ser isso. Mas, frise-se, com um texto horroroso, sem imaginação, e com atores principais absolutamente canastrões, haja vista, o desempenho de José Serra passando a mão no lado errado do próprio crânio, depois de - segundo ele - levar a pancada de um "objeto de dois quilos" (ele "sabia" o peso, mas não reconheceu o objeto).

    Por mais consciência que tivéssemos acerca da capacidade ficcional e inventividade maldosa da direita brasileira, jamais se iria supor que o eixo central do debate político proposto por eles fosse a bolinha de papel e o cilindro de durex. Ou seja, baniram a política e, neste vazio, entronizaram a bolinha de papel, agora como símbolo do papelão na política, da bancarrota eleitoral (mesmo com a invenção de Marina como linha auxiliar deles), e da completa ausência do senso de civilidade e civismo."

    (...)
    NOTA: trecho de texto de Cristóvão Feil (lê-se Diário Gauche) surrupiado por Hupper

    Serra Rojas e a Rede Globo

    Serra e as bolinhas do Kamel

    publicada sexta-feira, 22/10/2010 às 09:10 e atualizada sexta-feira, 22/10/2010 às 10:37

    por Mauro Carrara

    Nas ruas, nas praças, nas construções: a Rede Globo de Televisão causa estarrecimento, repulsa e vergonha alheia.

    Nesta eleição presidencial, seguindo o exemplo dos jornais Folha de S. Paulo e Estadão, bem como dos veículos midiáticos da editora Abril, a empresa da família Marinho transformou sua programação em complemento desesperado e mal disfarçado da propaganda de José Chirico Serra e do PSDB.

    Ao perceber o crescimento de Dilma Rousseff na preferência do eleitorado, o comando tucano resolveu tentar soluções “heterodoxas”, isto é, gerar fato novo que desviasse a atenção das vulnerabilidades da campanha serrista, como o caso Paulo Preto e a entrega anunciada de Itaipu, Banco do Brasil e Petrobrás a piratas de agência de pilhagem como a Warburg Pincus.

    1) Obviamente, a encenação foi realizada no Rio de Janeiro, com o apoio tático e logístico de Cesar Maia, especialista na criação de factoides dessa natureza. Em 2007, apresentei na rede inúmeros testemunhos de que o ex-prefeito do Rio havia tramado o episódio das vaias a Lula na abertura do Pan.

    2) Qualquer analista político sabe que Serra nada tinha que fazer no calçadão de Campo Grande, exceto atrair a ira de setores da população abandonados e humilhados durante o governo de FHC.

    3) O caso dos “mosquiteiros” é motivo de revolta até hoje no Rio de Janeiro, onde Mr. Burns é também conhecido como Mr. Dengue.

    4) Todos os jornalistas presentes ao local perceberam uma quantidade excessiva de seguranças contratados pela máquina tucana. Agiram, desde o início de forma ostensiva, violenta e provocativa.

    5) O ridículo episódio da bolinha de papel, cristalinamente gravado pelas câmeras do SBT, atesta que o suposto agressor não tinha interesse em ferir o candidato. Interessante que nenhum dos dezenas de seguranças do PSDB o tenha capturado.

    6) Boa parte dos jornalistas presentes, inclusive aqueles do próprio SBT, sustentam que Serra não foi alvejado uma segunda vez.

    7) Tanto a bolinha de papel quanto o objeto transparente (e invisível) criado pelo consórcio Folha-Globo para enganar o eleitor teriam colidido com uma região da cabeça diferente daquela que Serra aponta em seu teatro de coitadismo bufo.

    8) Ainda que tivesse existido um segundo objeto, não é possível acreditar que tivesse dois quilos ou mesmo meio quilo, conforme divulgou o comando da campanha tucana da Globo e da Folha de S. Paulo.

    9) Ainda que um suposto rolinho de fita adesiva tenha resvalado em Serra, o brasileiro mais inteligente pergunta: onde está o hematoma na cabeça do candidato? Sumiu de um dia para o outro? Justificaria uma tomografia?

    O suposto atentado a Serra-Rojas constituiu-se na peça mais patética da campanha midiática. E expôs também todo o desespero e a desonestidade que marcam a participação de Folha de S. Paulo e Globo na eleição presidencial.

    Tentam, tentam e tentam fazer o cidadão de otário. Procuram zombar de sua inteligência e bom senso.

    Mais estarrecedora, no entanto, é a passividade TSE, completamente cego aos atentados eleitorais cometidos pelo grupo Globo-Abril-Folha-Estado.

    Ali Kamel, o cérebro destrutivo que coordena William Bonner e Fátima Bernardes, tenta suas últimas cartadas.

    Ele tem outras bolinhas nas mãos, estas ocas e vermelhas. Tenta colá-las no seu nariz.

    A fraude da Globo

    A Globo não se preocupa com sua pouca credibilidade. Assim como Serra, foi para o tudo ou nada. Com uma fraude grosseira, a ponto de desmascarada poucas horas depois pela internet, como o fez o Professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação Superior Norte-RS (UFSM/CESNORS), campus de Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, Brasil, José Antonio Meira da Rocha. No site de Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada, o professor publicou as imagens do celular exibidas pela Globo. Para facilitar a visualização, recortei de cada quadro a seção em que aparece Serra.

    image

    imageO primeiro quadro mostra ao fundo de Serra a cabeça de uma pessoa, cujo reflexo forma um arco. Com o deslocamento essa pessoa é encoberta pela cabeça de Serra, mas o arco de reflexo sempre aparece parcialmente. Observe que Serra nos últimos quadros sai da sombra para o sol. No último quadro, a pessoa vista atrás de Serra aparece totalmente iluminada pelo sol e o arco desaparece. Não se observa nenhum objeto se aproximando ou se afastando em relação ao quadro utilizado pela Globo como prova de que Serra fora atingido por um rolo de fita crepe. O quadro que a Globo apresentou como prova foi o sexto da esquerda para a direita, onde as setas indicam o que para a Globo seria um objeto atingindo Serra.

    imageO perito solicitado pela Globo, Ricardo Molina, não se deu ao trabalho de buscar imagens quadro a quadro. como fez o Prof. José Antônio. Aos 4 minutos e 20 segundos do vídeo que pode ser visto no G1, Molina apenas congela o quadro em questão e circula o que ele identifica como rolo de fita adesiva. Veja no primeiro quadro à direita que um círculo branco aparece bem mais definido que na imagem acima.

    Para não ficar com dúvidas, busquei o vídeo original, publicado pela Folha.com as imagens captadas por Ítalo Nogueira. Aos 6 segundo do vídeo da Folha.com, a imagem não é tão contrastada como a de Molina o que sugere que ela foi trabalhada para evidenciar um objeto circular, enquanto no vídeo da Folha, parece mais uma imagem produzida por contrastes de claro e escuro da cabeça de Serra fundindo-se com as imagens do fundo, o que também ocorre na sequência apresentada no início.

    imageAmpliei a área dos dois vídeos e o de Molina evidencia que a imagem do quadro foi tratada antes da entrevista para dar maior definição ao que eles querem provar.

     

    quinta-feira, 21 de outubro de 2010

    Quando a mídia não puder mais esconder

    Escrevo esse texto especialmente para as pessoas que buscam estar bem informadas acompanhando a mídia tradicional. Dou certo destaque para aqueles que apostam nas informações do Jornal Nacional, Veja, Folha e Estadão.

    Quando a mídia não puder mais esconder

    Lula aguarda o dia 1º de janeiro de 2011 com ansiedade e alegria, pois terá a oportunidade de dizer tudo aquilo que o cargo lhe proíbe (veja o vídeo). Por outro lado, Serra deve se angustiar com a aproximação do dia 1º de novembro próximo. A falta total de escrúpulos que se observa nessa campanha que entrará para história da democracia e do jornalismo, demonstra que Serra não tem mais nada a perder. Somente a Presidência da República lhe blindará do que está por vir.

    Quem milita a blogosfera progressista assiste a mídia hegêmonica publicar com dias ou meses de atraso, aquilo que já apuramos, denunciamos, publicamos. Estamos melhor informados que a grande mídia? Claro que não. Mas ela determina o que a população deve saber ou não. Enquanto isso, a maioria da população, mesmo a que pensa estar bem informada, se confunde com as informações que recebe, seja da imprensa, ou de e-mails e telefonemas sujos.

    As pessoas perguntaram-se: quem é Paulo Preto? Diferentemente de Serra, quase ninguém sabia. Desde agosto falamos pela blogosfera, de Paulo Preto, do sumiço de 4 milhões de caixa 2 reclamado por tucanos, do fato de ser um dos principais responsáveis pelas obras do Rodoanel (se duvida, leia aqui). Saiu na Istoé. Mas não valeu um Jornal Nacional, repercussões pela Folha, Estadão e O Globo durante semana. Quando Dilma colocou Paulo Preto no debate, a imprensa não teve como fugir do assunto. Viram Serra dizer que não sabia. Viram Paulo Preto ameaçá-lo pelo jornal. Viram Serra recobrar a memória e defendê-lo como foi pedido pelo ex-arrecadador de campanha e ex-homem de confiança do ex-Governador de São Paulo. A reportagem da Record detalhou melhor o que a Globo buscou dar menor destaque (assista).

    As pessoas viram Serra acusar Dilma de ser a favor do aborto, aproveitando-se da boataria eletrônica e da panfletagem religiosa que sua campanha encomendou. Logo no início da campanha de 2º turno, desmascaramos o “Serra Sou Contra o Aborto” (veja você mesmo). Ele continuou fazendo pregação, entrando em igrejas, eventos religiosos, sendo expulso (ouça), distribuindo Santinhos com mensagens de Jesus (aqui). Forçou a barra. Piorou. Mônica Serra, que disse que Dilma era a favor de matar criancinhas, foi desmascarada por ex-alunas da UNICAMP que contaram e reafirmaram a confissão de Mônica sobre o aborto que fizera nos tempos de Chile. Soubemos dias antes de sair na imprensa. Optamos por não publicar por temer ser armação tucana (veja). Quando, no sábado, o PT encontrou a gráfica tucana com mais de 1 milhão de panfletos criminosos, nós já tínhamos divulgado antes da ordem judicial e da Polícia Federal chegar para apreender o material. Também já tínhamos descoberto as ligações com a monarquia e com a extrema direita que tinha o religioso que encomendou e pagou os panfletos solicitados pelo Bispo de Guarulhos (confira). Foi a rede que descobriu que a dona da gráfica era filiada ao PSDB e irmã de coordenador de campanha de Serra. Dois dias depois saiu no Jornal da Record (assista).

    image

    Todos ouviram, desde maio, Serra falar de dossiê e quebra de sigilo para tudo quanto é canto. Jornal, rádio e tv. Os de fora da blogosfera nunca ouviram falar de Amaury Ribeiro Jr. Na grande mídia ninguém citou Aécio neste tema. Também, além de Eduardo Jorge e da filha de Serra, não se falou sobre quem eram, dentre o alto tucanato, as pobres supostas vítimas da quebra de sigilo. Em junho, eu ainda mais novato na blogosfera, publiquei as relações de Verônica Serra com a irmã de Daniel Dantas (o banqueiro preso do Oportunity), fato nada novo na rede (leia aqui). Mencionei na ocasião, com base nas informaçõe dos blogs dos jornalistas que eu acompanho que o novo dossiê que Serra dizia vir do PT, havia sido produzido por um jornalista ligado ao PSDB tucano para municiar Aécio contra as táticas de Serra (dossiês contra o adversário mineiro no partido). Luis Nassif foi quem apurou a história e facilmente a explicou (confira). Desde 2008, diante da disputa no PSDB, pela candidatura à Presidência, dizia-se no partido, que Serra havia preparado dossiê sobre Aécio. Os mineiros precavidos, recorreram ao jornal Estado de Minas para juntar munição contra Serra. Foi recrutado seu jornalista Amaury Ribeiro Jr.  Quase um ano de trabalho atrás de pistas. Junou-se muito material que ficou sem uso após o fim da guerra interna do PSDB. Amaury decidiu com o resultado de seu trabalho, escrever um livro. Quando se aproximou de Lanzetta, cuja empresa era responsável por contratar pessoal para a Campanha de Dilma. Serra desesperou-se ao saber, e saiu usando seus canais para esvaziar qualquer material que saísse da caneta de Amaury.
    Mas a grande mídia escondeu Amaury e a filha de Serra naquele momento. Preferiu reeditar o que seria uma nova versão do dossiê dos aloprados. Um dia depois do artigo de Nassif, a Folha corrigiu a história aproximando-se da versão publicada na internet (confira aqui e aqui).

    imageNo dia 07 de junho Paulo Henrique Amorim lembrava que o dossiê, na verdade, o livro, era sobre a ligação de Dantas (o banqueiro) “com as privatizações do governo FHC/Serra. O meio é a sociedade da filha de Serra com a irmã de Dantas. O fim é a ligação Dantas e Serra.” Mas a Folha voltou a atacar dando voz para os tucanos acusarem o PT de quebrar o sigilo de Eduardo Jorge Vice Presidente do PSDB. No dia seguinte, o PT entrou  na justiça contra Serra pela acusação falsa de quebra de sigilo e na Polícia Federal para investigar as informações prestadas pela Folha (como publicamos). O próprio Amaury se ofereceu para depor. No final de agosto, a PF já tinha revelado que alguns dados de tucanos tinham sido acessados. Entre os que tiveram dados acessados estavam artistas e até o filho de Lula. A mídia centrava em Eduardo Jorge e falava de membros do alto tucanato, sem dar muita divulgação aos nomes. Com informações da própria imprensa realizei uma série sobre os dossiês das supostas vítimas de dossiês, do Eduardo Jorge aos gran-tucanos que a mídia pouca citava: Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado. Todos são ligados a Serra, de parente a coordenador de campanha, todos estavam ligados a escândalos nas privatizações (divulgados por revistas da época) no governo FHC e a Daniel Dantas (confira você mesmo). Outra coincidência, eram nomes centrais do livro de Amaury, “Nos porões da privataria”, cujo prefácio foi publicado por Paulo Henrique Amorim desde 4 de junho e que reproduzi aqui. Em setembro, o PT pediu que a Polícia Federal ouvisse o depoimento de Amaury. Serra afinou e começa a mudar de assunto. Aqui foi notícia. No início de setembro, Luis Nassif faz uma fantástica cronologia que explica os ataques de Serra contra Aécio. Lembra artigo do Estadão, uma mensagem de Serra para Aécio não enfrentá-lo. O artigo de 2008 que se intitulava “ pará, governador!” e questionava as aspirações políticas do governador mineiro, fez o líder entender que a turma paulista era da pesada e não estava para brincadeiras. A briga interna levou Aécio a abrir mão, mas deixou pronto um farto material contra Serra. Já na campanha, há nova tentativa frustrada de tucanos reeditarem os escândalo dos aloprados. Esse resumo de Nassif que se pode ler aqui conta toda a história dos dossiês, de Aécio e da guerra suja de Serra, que no PSDB nunca foi novidade, o sabem Tasso e Paulo Renato.

    Tudo isso que contei e que estava aqui na internet esse tempo todo começam a tomar forma na mídia tradicional. Eles não sabiam antes? Naturalmente que sim. Mas não queriam que você soubesse. Mas por que resolveram tratar disso agora, neste dia 20 de outubro? Como revelou Nassif  pela manhã (aqui), a Polícia Federal, após concluir o inquérito, decidiu divulgá-lo somente após as eleições, pois sabe que é uma bomba contra Serra e não quer que seja atribuído a ela a acusação de estar a serviço de interesses eleitorais. Eduardo Jorge, ao contrário, por meio de sua advogada, preferiu mandar para a Folha os resultados do inquérito da Polícia Federal como tentativa de antídoto. A Folha de São Paulo publicou a matéria com uma manchete preparada para a propaganda de Serra: “PF liga quebra de sigilo fiscal de tucano à pré-campanha de Dilma”. Como bem desmistificou Nassif, a matéria do jornal paulista dá enfase à aproximação posterior, para tentar ocultar por mais um tempo a ligação do jornalista com o Aécio Neves e a guerra tucana de dossiês. Foi a tentativa da mídia de uma forma geral (aqui e aqui). Mas aos poucos, o inevitável acontece, a mídia está se aproximando de Aécio como publicou Luiz Carlos Azenha aqui. O Estadão foi perguntar ao próprio que desmente tudo o que disse o jornalista que trabalhava para o jornal mineiro quando os sigilos foram quebrados (aqui). Como previu Nassif parece mais um tiro no pé, ainda mais porque a PF iria desmentir e informar a verdade, a relação entre o jornalista e Aécio contra Serra. O que disse Nassif pela manhã, aconteceu aconteceu à tarde e foi publicado na íntegra por Paulo Henrique Amorim. Como o que disse a PF, não teve o destaque da mídia, reforço alguns pontos abaixo, apesar de que, mais cedo ou mais tarde, o público vai ser informado:
    “a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista;”
    “o jornalista utilizou os serviços de levantamento de informações de empresas e pessoas físicas desde o final de 2008 no interesse de investigações próprias;”
    Os dados violados foram utilizados para a confecção de relatórios, mas não foi comprovada sua utilização em campanha política;”
    A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação.”

    Aos poucos todos terão acesso pela tv, rádio e imprensa daquilo que há meses sabemos e divulgamos pela internet.Se você ainda tem duvida, espere e verá se confirmando cada informação. Não se trata de profecia. As informações estão disponíveis na internet como resultado de bom jornalismo, mas que não atende aos grandes interesses. Esse trabalho associado ao poder de rede que a internet tem está rompendo aos poucos uma barreira antes intransponível. Uma dos maiores pesadelos da decadente velha mídia. Por fim, os dados que antes estavam na mão de um jornalista que esquadrinhou as chamadas privatarias foram parar na Polícia Federal. Por isso, voltando ao início desse texto, você entende agora o medo de Serra pelo que virá após 31 de outubro se não for ele o eleito? Por isso, o vale-tudo irá durar até o dia 31: leia Após ser atigido por bolinha de papel, Serra passa bem.

    quarta-feira, 20 de outubro de 2010

    Os crimes eleitorais de Serra e dos religiosos

    Panfletos criminosos, igrejas usadas como comitê, robôs telefônicos. Agora é a vez da mídia.

    A campanha de Serra e alguns religiosos permanecem cometendo crimes eleitorais e tendem ampliar suas ações. Serra até agora não foi punido mesmo após a apreensão dos panfletos criminosos na gráfica de tucanos. Nada aconteceu com os padres, que além da prática de crime eleitoral, desobedecem a hierarquia católica, desrespeitando as orientações da CNBB de não orientar o voto. Como denuncia o blog Os Amigos do Presidente Lula,Mesmo com o pedido de busca e apreensão dos panfletos impressos na Editora Gráfica Pana contra a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT), as igrejas da diocese de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, estão apinhadas de materiais gráficos que fazem referência negativa à petista. A cidade de Guarulhos é a região episcopal presidida pelo bispo católico Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que teria encomendado os 2 milhões de panfletos apreendidos no último domingo pela Polícia Federal na gráfica do bairro do Cambuci, em São Paulo.” As fotos de mais material feito por criminosos de batina flagradas pelo blog mantém a indagação: de onde vem o dinheiro para a impressão?

    No centro da cidade de São Paulo, a Igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca, também virou comitê eleitoral de José Serra como fotografado e exposto no Luis Nassif Online:

    Diante da impunidade e do desespero, a quadrilha eleitoral armou mais um golpe contra o regime democrático. Não bastasse a central de boatos por e-mail, a campanha de Serra lançou o robô telefônico, que liga para a casa dos outros, sem se identificar, para espalhar mais boatos sobre Dilma. Leia no Viomundo a reportagem de Conceição Lemes e a entrevista com o advogado especialista em Direito Eleitoral para entender porque a campanha para beneficiar Serra comete dois crimes.
    Com tudo isso, as mentira e os exageros grosseiros de Serra, têm produzido efeito contrário. No vale-tudo que se dará agora, com duas pesquisas na semana (Vox e Ibope) distanciando Serra de seu objetivo maior, a mídia golpista, amiga de Serra, já ampliou a campanha de desinformação, desfigurando as conclusões da PF e explorando a armação de um Serra, sempre vítima, um coitado, sempre atacado por petistas.
    Essa eleição já entrou para a história. Depois dela, o Brasil não será mais o mesmo. Como a criança que perde a inocência no fim da puberdade. Aconteça o que acontecer, o país só terá futuro para os desejos da maioria da população, se assumirmos o compromisso de politizar os trabalhadores. 

    A razão do vazamento do inquérito da PF - Portal Luis Nassif

     Luis Nassif

    Para entender melhor o inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal dos tucanos.
    As investigações foram encerradas na semana passada, inclusive com a tomada de depoimento do repórter Amaury Jr por mais de dez horas.
    A conclusão final do inquérito foi a de que Amaury trabalhou o dossiê a serviço do Estado de Minas e do governador Aécio Neves - como uma forma de se defender de esperados ataques de José Serra.
    Em negociação com o Palácio, a cúpula da Polífica Federal decidiu segurar as conclusões para após as eleições, para não dar margem a nenhuma interpretação de que o inquérito pudesse ter influência política.
    No entanto, a advogada de Eduardo Jorge - que tem acesso às peças do inquérito por conta de uma liminar na Justiça - conseguiu as informações. Conferindo seu conteúdo explosivo, aparentemente pretendeu montar um antídoto. Vazou as informações para a Folha, dando ênfase ao acessório - a aproximação posterior de Amaury com a pré-campanha de Dilma - para diluir o essencial - o fato de que o dossiê foi fogo amigo no PSDB.
    Neste momento - segundo informações de repórteres de Brasília com acesso a investigadores - discute-se na PF a oportunidade ou não de uma coletiva para colocar as peças no devido lugar.
    Aparentemente, a manobra de Eduardo Jorge com o jornal acabou sendo um tiro no pé. A partir de agora, não dará mais para a velha mídia ignorar o tema.
    PS - Publico aqui no portal porque o blog não está dando conta do número de acessos.

    A razão do vazamento do inquérito da PF - Portal Luis Nassif

    terça-feira, 19 de outubro de 2010

    O discurso de Lula no evento da CartaCapital

    Viomundo - O que você não vê na mídia
    19 de outubro de 2010 às 1:17

    Acima, um trecho.

    Abaixo, a íntegra em duas partes:

    No site do Azenha: O discurso de Lula no evento da CartaCapital | Viomundo - O que você não vê na mídia

    segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Altamiro Borges: Bispos e tucanos em flagrante delito

    segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Bispos e tucanos em flagrante delito

    Reproduzo comentário de Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa:
    Os jornais noticiam, na segunda-feira (18/10), que a Polícia Federal, a mando da Justiça Eleitoral, apreendeu cerca de 1 milhão de panfletos contra a candidata governista, Dilma Rousseff, numa gráfica que pertence à irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de José Serra, Sérgio Kobayashi.
    Os panfletos, de responsabilidade da Regional Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, vinham sendo distribuídos por militantes do PSDB.
    No domingo (17), dois ativistas da campanha de José Serra coordenavam a entrega do panfleto diante da capela da Pontifícia Universidade Católica, no bairro de Perdizes, em São Paulo, abordando os fiéis à saída da missa. Diziam que, se eleita, Dilma Rousseff vai estimular o aborto nas famílias de classe média para assegurar a maioria de pobres que, segundo afirmavam, são manipulados por políticas sociais. Citavam o caso do apartheid na África do Sul, enquanto uma militante reforçava o discurso dizendo em voz alta que Dilma Rousseff quer esterilizar as mulheres de classe média.
    Fato real
    A Polícia Federal revelou a conexão direta entre o núcleo da candidatura oposicionista e a campanha obscurantista patrocinada pelos bispos que sonham controlar a CNBB. Trata-se de ato de delinquência, tipificado como crime eleitoral.
    Diante do flagrante delito, escorrem desmentidos de todos os tipos, e cabe à imprensa manter o assunto em evidência e investigar o caso.
    A dona da gráfica, segundo a Folha de S.Paulo, é filiada ao PSDB desde 1991. Resta apurar quem pagava a impressão, se os bispos empenhados em cobrir a campanha eleitoral com seu discurso medieval ou se o dinheiro vinha do caixa da campanha de José Serra.
    Mesmo que lhe interesse visceralmente virar a tendência do eleitorado e que tenha demonstrado, até aqui, uma bizarra flexibilidade quanto às boas práticas jornalísticas, é de se esperar que a imprensa tradicional ainda conheça alguns limites de decência.
    O flagrante na gráfica que pertence a destacados militantes do PSDB é um fato real, não uma denúncia a ser investigada. Trata-se do evento mais escandaloso da atual campanha. Vamos ver quanto tempo permanece no noticiário.
    Guerra de panfletos
    Os leitores atentos devem ter observado que a capa da revista IstoÉ desta semana é uma referência à capa da revista Veja da semana anterior.
    Na semana passada, Veja retratou a ex-ministra Dilma Rousseff em duas posições opostas, tentando representar uma suposta contradição da candidata diante da questão do aborto. Nesta semana, IstoÉ faz o mesmo com José Serra, mostrando-o também em duas imagens invertidas. Numa delas, com a frase segundo a qual o ex-governador nega conhecer o engenheiro Paulo Vieira de Souza, apelidado de Paulo Preto. Na outra, Serra reconhece o personagem e o elogia.
    Paulo Vieira de Souza, obscuro avatar de obras públicas e campanhas eleitorais retirado das sombras pela IstoÉ, tornou-se desde a semana passada um dos eixos em torno dos quais a campanha eleitoral patina sem chegar aos temas que realmente importam para a escolha de um candidato à Presidência da República.
    O outro tema, que envolve a intervenção do Estado em relação ao livre arbítrio das mulheres diante da questão do aborto, segue sendo alimentado por iniciativa do bispo de Guarulhos, com apoio oficial da coordenação de infraestrutura da campanha do PSDB, segundo apurou a Polícia Federal.
    No que se refere à imprensa, convém esclarecer em que ponto da campanha os editores perderam as referências do bom jornalismo e aceitaram se transformar em meros coadjuvantes dos marqueteiros de candidatos.
    Que os jornais chamados de circulação nacional estão há meses empenhados em fornecer munição para uma das candidaturas, não pode restar dúvida. O que está ainda por ser provado é até que ponto irão arriscar suas reputações para fazer valer suas preferências políticas.
    O empenho da chamada grande imprensa em tentar impor um candidato à opinião pública ainda está por receber uma análise apropriada dos pesquisadores em comunicação, em torno de uma questão central: o que tanto temem os donos das empresas de mídia dominantes, em caso de vitória da ex-ministra Dilma Rousseff?
    Os estudiosos estão dispensados de perscrutar as razões da revista Veja, que há muito deixou de produzir jornalismo para se transformar em panfleto.

    José Padilha para Ministro da Segurança do Serra

    Conversa Afiada
    Publicado em 18/10/2010

    José Padilha (do lado de fora do caveirão)

    Saiu na Folha (*), pág. E6, crítica de Vladimir Safatle ao filme “Tropa de Elite – 2”.
    “Longa usa a lógica da guerra civil para discutir a questão da segurança pública”.
    “Trama legitima violência policial e trata defesa dos direitos humanos (o pessoal pró-aborto diria o Serra – PHA) como ladainha ingênua.”
    “… se o método truculento não deu certo, isso seria resultado exclusivo da corrupção generalizada (da Erenice – diria o Serra – PHA).”
    “Neste país, onde a polícia tortura mais do que na época do regime militar, as idéias de compreender problemas de segurança a partir da lógica da guerra civil parece ter se naturalizado”.
    “ … os intelectuais de esquerda ganhariam mais complacência dos produtores de blockbusters se abandonassem a ladainha dos direitos humanos, escolhessem o lado da classe média assustada e abraçassem a causa monocórdia da luta moralizante contra a corrupção estatal (da Erenica – diria o Serra – PHA). “

    Navalha

    NAVALHA

    Assisti a essa litania da violência no Shopping Higienópolis, onde uma camionete de uma empresa de segurança privada estaciona na porta, 24 horas, por causa de dois assaltos recentes a joalherias.
    A platéia delirava quanto mais se dava pancada no filme do Padilha.
    Aplausos, suspiros de alívio.
    “Pau neles !”, pareciam dizer.
    Além das observações irretocáveis do artigo do Safatle, este ordinário blogueiro acrescentaria outro aspecto.
    A estigmatização do Rio como sede da violência e da corrupção.
    É uma marca infamante que tranquiliza a classe média – do Rio e de São Paulo.
    O crime está ali – e só ali: na favela, entre os pobres.
    Nós, do lado de cá da podridão, vivemos no mundo perfeito onde não se faz aborto.
    Onde padres petistas são colocados em seu devido lugar.
    Nós, virtuosos do verde – isso não nos atinge.
    É aí que o “docudrama” do Padilha se estrepa: na favela do Rio.
    As UPPs – Unidades Policiais Pacificadoras – do Rio são um retumbante sucesso.
    O governador foi re-eleito com 68% dos votos, em cima da bandeira das UPPs.
    Na sexta-feira, depois de assistir ao caça-níquel do Padilha, li no Globo (no Globo !), na pág. 20:
    “Vila Isabel comemora a ocupação do morro. Chegada do BOPE à favela alivia a vizinhança, assustada com os constantes tiroteios dos traficantes.”
    Na pág. 19 (esse Padilha diz qualquer coisa !), do mesmo Globo:
    “A paz pousa nos macacos – um ano após a derrubada de helicóptero da PM (faltou essa cena blockbusteriana no pastiche do Padilha – PHA), BOPE ocupa a favela em Vila Isabel para instalação da 13ª. (13ª. !) UPP.”
    “Enfim, o estado começa a pagar à comunidade a grande divida social, cultural e de segurança que tem com ela” – Presidente da Associação de Moradores do Morro dos Macacos, Mário Lima.
    Talvez se dê muita trela ao Padilha.
    Deixa o Padilha ganhar o dinheiro dele, Safatle.
    É isso o que dá publicitário fazer filme com dinheiro da Globo.
    Só tem um problema: o Padilha achar que merece ser o Ministro da Segurança do Serra.
    Já pensou ?
    Porrada !
    E o pessoal do Shopping Higienópolis – que não faz aborto – a aplaudir: porrada !

    Paulo Henrique Amorim

    (*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

    José Padilha para Ministro da Segurança do Serra | Conversa Afiada

    Serra nomeou filha do Paulo Preto. Paulo quem ? | Conversa Afiada

    Publicado em 17/10/2010
    Por Paulo Henrique Amorim

    O que o Paulo Preto fez por 4 anos no gabinete do Fernando Henrique ?

    Saiu na Folha (*):

    (…)
    No primeiro mês como governador de São Paulo, José Serra (PSDB) nomeou uma filha do ex-diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, para cargo de confiança no Palácio dos Bandeirantes.
    A jornalista Tatiana Arana Souza Cremonini foi contratada como assistente técnica de gabinete em decreto assinado por Serra em 29 de janeiro de 2007. Ela atua no cerimonial, com salário de R$ 4.595, com gratificações.
    (…)

    (*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

    Serra nomeou filha do Paulo Preto. Paulo quem ? | Conversa Afiada

    sábado, 16 de outubro de 2010

    Serra já deu R$ 250 milhões de dinheiro público a editora e imprensa amigas

    Viomundo – O que você não vê na mídia
    14 de outubro de 2010 às 19:37

    NaMaria: Desde 2004, PSDB paulista gastou R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação)

    por Conceição Lemes

    Transparência é sine qua non em todo negócio público. Uma das formas de garanti-la é a licitação, quase sempre obrigatória. Mesmo nas situações excepcionais em que é dispensável, o contrato da minuta tem de estar disponível, on-line, para consulta. O descumprimento dessas normas tem de ser denunciado, é óbvio.

    Rápida busca no Google revela que denúncias nesse setor (às vezes improcedentes) geralmente ganham destaque na velha mídia quando envolve pessoas e órgãos ligados ao governo federal ou aos aliados da base de sustentação do presidente Lula.

    Essa mesma mídia, no entanto, silencia sobre as benesses que recebe da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), via Fundação para Desenvolvimento da Educação (FDE), pela venda de apostilas, jornais, revistas, livros.

    “Desde 2004, especialmente de 2007/2008 em diante, a FDE pagou no mínimo R$250 milhões (R$248.653.370,27) [valores não corrigidos] à Abril, Folha, Estadão, Globo/Fundação Roberto Marinho”, denuncia NaMaria, do NaMaria News , ao Viomundo. “A maioria sem licitação.”

    “As vendas maciças desse papelório à FDE coincidem com o apoio crescente da mídia à candidatura José Serra e apoio ao PDSB”, observa NaMaria. “As publicações são apenas cortina de fumaça. Uma desculpa perfeita, pois com dinheiro do FNDE podem-se comprar tais coisas. Porém, o que a FDE comprou, de verdade, foi a palavra nesses espaços.”

    “Em São Paulo, à custa da educação pública estão se construindo inúteis ‘escolas de papel’”, nota NaMaria. “Afinal, esse papelório é dispensável e o destino, o lixo. Quem não se lembra dos Cadernos do Aluno, caríssimos, feitos em editoras como a Plural (da Folha), Ibep, Posigraf, FTD, que foram encontrados em caçambas de lixo, e dos que tinham o mapa da América do Sul com dois Paraguais?”

    “Quase todo o dinheiro da compra de jornais, revistas, apostilas, inclusive daquelas mochilas que o Serra alardeia nas propagandas, vem do FNDE”, revela NaMaria. “Mas a SEE-SP e a FDE omitem, fazem bonito com os donos da mídia com o chapéu do governo federal. As compras estão dentro da lei, mas será que são relevantes?”

    Por exemplo, para a Editora Abril/FundaçãoVictor Civita foram entregues R$ 52.014.101,20 para comprar 4.543.401 exemplares de diferentes publicações. Com esse dinheiro, poderiam ser construídas quase 13 escolas ou 152 salas de aula novinhas, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos – considerando que uma escola com 12 salas custe R$ 4,1 milhões e cada sala cerca de R$340 mil.

    FNDE é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC). A FDE-SP, criada para cuidar da construção e infraestrutura escolar, cresceu demais, adquiriu poderes imensos, virou um buraco negro. Exceto a folha de pagamento, passa por aí desde o dinheiro para a compra de papel higiênico (suprimentos), merenda, material didático, mobiliário escolar, kits escolares (mochila, cadernos etc.), projetos pedagógicos, capacitações até o destinado para aquisição de computadores e softwares.

    “A FDE sequer publica no Diário Oficial (DO) a justificativa de suas compras que dispensam de licitação”, condena NaMaria. “Até hoje encontrei poucas. Por exemplo:  assinaturas do Diário Oficial, feitas pelas Diretorias de Ensino, locações de imóveis, serviços emergenciais de limpeza escolar. Mesmo assim incompletas. Outras secretarias até publicam, a Educação, não. Não é piada?”

    O NaMaria News existe há um ano e meio. A “dona” é uma web-pesquisadora muito dedicada e competente, com faro finíssimo para descobrir desmandos na educação pública, principalmente os praticados pelo PSDB de São Paulo. A veracidade e excelência do seu trabalho são tamanhas que NaMaria hoje é referência.

    NaMaria é uma só. Mas, por meio das redes, vira uma legião capaz de chegar a qualquer canto do Brasil. Por isso, neste segundo turno da eleição presidencial, o Viomundo entrevistou-a, para entender melhor os meandros dos negócios dos tucanos na área educacional.

    Afinal, a Secretaria da Educação Estadual de São Paulo é uma das maiores empresas públicas do mundo: tem 4.449.689 de alunos (matrículas 2009), 278.443  professores ativos (comprove aqui) e execução orçamentária recorde em 2009 de R$ 1.9 bilhão (Relatório FDE).

    Viomundo – Vou começar com a pergunta que todo mundo gostaria de fazer a você: como descobre tudo isso?

    NaMaria – (Risos)…lendo o Diário Oficial de São Paulo. Lá temos drama, suspense, ação, ficção científica, mistério. E um pouco da realidade, que não faz mal a ninguém. Vai dizer que a notícia dada no DO de que o Alckmin, quando governador em 2003, acabaria com as enchentes do Tietê não é ficção? E que saiu por quase um bilhão de reais, com dinheiro japonês, não é de matar de emoção? Só é.

    O Diário Oficial também tem muita diversão. É como se eu me movesse num enorme labirinto. Por exemplo, eu chego lá com o número de um contrato ou o nome de algum personagem histórico do mundo dos negócios. Eu tenho de seguir o rastro dele, atentando às mínimas pistas, para reconstruir as tramas. Às vezes ao “caçar” compras de jornais e revistas sem licitação, acho um contrato recém-assinado, milionário, com empresa de aluguel de computadores ou serviço de lanches, prestação de serviços em eventos.

    Sem dúvida, o DO (risos, de novo) é o melhor jornal de todos os tempos. Parece ser o único que fala alguma verdade – mesmo que por outras vias. Há também os leitores que nos enviam sugestões de pesquisa, denúncias, perguntas interessantes.

    Viomundo – Qual o seu diagnóstico da educação pública em São Paulo?

    NaMaria – Quem mora em outro estado e vê a propaganda, acha que a nossa educação vai muito bem. Tremenda ilusão. A propaganda é bonita mas pura mentira. A educação vai péssima. O fracasso pedagógico está claríssimo. Basta conversar com pais, alunos e professores. As escolas públicas paulistas são protótipos caros de cadeias e túmulos de sonhos. As crianças e os jovens que as frequentam são o que menos importam aos gestores. Idem os professores.

    Viomundo – São Paulo é o estado mais rico da federação, a Secretaria de Educação tem muito dinheiro. Por que os resultados práticos são tão ruins?

    NaMaria — Dinheiro não significa qualidade. E dinheiro mal empregado, pior ainda. É a máxima do menos é mais, só que ao avesso. O fracasso pedagógico decorre da filosofia implantada aqui: a nossa educação é baseada em negócios.

    Viomundo – Esse modelo começou com o Serra na Prefeitura?

    NaMaria –  A filosofia, não. Mas a relação desse modelo de negócio com a mídia, sim. Muitos dos meganegócios, prestações de serviços, projetos “pedagógicos”, empresas ganhadoras e práticas atuais da FDE tiveram berço com Serra quando prefeito de São Paulo.

    Viomundo – Comecemos pela filosofia.

    NaMaria — A educação baseada em negócios começou em Brasília, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando Paulo Renato de Souza era ministro da Educação (1995 a 2001). Vários membros da equipe abriram empresas quando saíram do governo e passaram a vender serviços para o próprio governo. O próprio Paulo Renato montou a PRS Consultoria.  A Veja, parceira visceral da SEE-SP, já no início da década de 90 fazia elogios rasgados à política educacional do Paulo Renato.

    Em janeiro de 2005, quando o Serra se tornou prefeito, muitos deles vieram para cá para  implantar o projeto de negócio em educação.

    Em dezembro de 2007, já com Serra governador de São Paulo, o projeto aparece no estado. A secretária de Educação era Maria Helena Guimarães de Castro, ex-MEC e ex-secretária de Educação do Distrito Federal, do então governador José Roberto Arruda.

    Daí, veio também para a SEE-SP a Iara Glória Areias Prado, ex-secretária-adjunta de Educação da Prefeitura, ex-assessora na empresa PRS do Paulo Renato, esposa do “homem das pesquisas”Antônio de Pádua Prado Júnior, o Paeco, cuja empresa APPM tem significativos clientes, entre eles a agência Lua Branca, do Luiz Zinger González, o marqueteiro atual do Serra, cuja mesma agência fez trabalhos caríssimos para o Paulo Renato na SEE e que também é Conselheiro Consultivo da Fundação Mário Covas.

    Veio ainda  a Cláudia Aratangy, hoje Diretora de Projetos Especiais no lugar da Iara Prado, que exerce outras funções poderosas. Veio a Guiomar Namo de Mello, que também é executiva da Fundação Victor Civita, é diretora da EBRAP – Escola Brasileira de Professores, conselheira na Sangari Brasil, está dentro da SEE/FDE – tendo sido contratada não pela Educação, mas através da FUNDAP Fundação do Desenvolvimento Administrativo –  (ver também a Resolução SE – 79, de 3-11-2009) –; é da equipe executora dos Cadernos dos Professores “Gestão do Currículo na Escola” 2008-2010 e por aí vai. Daí tem também a Maria Inês Fini, Zuleika de Felice Murrie e depois Eliane Mingues, entre outros.

    A lista é imensa, podemos ficar aqui uma semana enumerando-os. Detalhe: todos da turma do Paulo Renato dos tempos de MEC. Desde 2009, Paulo Renato é o secretário da Educação do Estado de São Paulo.

    Viomundo – Você disse que muitas das práticas atuais da FDE tiveram início com Serra quando prefeito…

    NaMaria – Te dou um exemplo. A Central de Atendimento da FDE é feita pela Call Tecnologia e Serviços, que chegou na Prefeitura de São Paulo, em abril de 2006, para fazer a Central 156. A Call foi parar, via licitação, na Educação de SP em março de 2009, para fazer um serviço que já era feito pelos funcionários da FDE: atender as chamadas telefônicas, orientar os usuários etc..

    Mas o Paulo Renato e o Serra acharam por bem ter uma “empresa terceirizada mais profissional” para o serviço, para agilizar. Só que um tanto mais cara também: algo como R$ 3.984.000,00 (contrato 52/0020/09/05) – fora a tonelada de equipamentos, instalações e software que tiveram de comprar para a coisa andar direito; então lá se foram alguns milhões. E as empresas fornecedoras desses equipamentos e serviços também são velhas conhecidas tanto da prefeitura quanto do estado. Uma parte dessa aventura já foi tratada no NaMaria News (aqui). É bom não esquecer que a Call Tecnologia, original de Brasília, está na Operação Caixa de Pandora – junto com outras empresas de tecnologia, gráfica e software que negociam com São Paulo.

    O Serra, na verdade, fez da prefeitura um piloto do que colocaria em prática, depois, no governo do estado. Testou tudo: tipos de negócios, projetos, mega-assinaturas de publicações da Abril, Estadão, Folha, Globo, ex-membros da equipe do Paulo Renato, até o próprio Paulo Renato. Portanto não é errado pensar que o seu governo estadual foi piloto para o que pretende fazer, se eleito como presidente. Ele gosta de um projeto-piloto.

    Viomundo – Mas a Marta Suplicy (PT-SP) também comprou assinaturas revistas da Abril e outras editoras quando prefeita…

    NaMaria – A Marta assim como governos anteriores. Acontece que ela comprava a maioria definitiva e comprovadamente para as bibliotecas. Quem queria ler ou consultar, ia às bibliotecas e pronto. No DO é fácil comprovar isso. Portanto, em quantidades e valores mínimos se comparados ao que vimos com Serra na Prefeitura, depois no governo do estado de São Paulo. É o caso do projeto Ler e Escrever, que surgiu na Prefeitura em 2005. Em 2007, ele apareceu na SEE-SP.

    Viomundo – O que é o projeto Ler e Escrever?

    NaMaria – Entre outras funções mais nobres, ele é responsável por comprar livros, sem licitação, em grandes quantidades, entre os quais aqueles noticiados em toda imprensa como “pornográficos”, tipo o Memórias Inventadas, do Manoel de Barros (463.088 exemplares, por R$ 2.315.440,00). Há editoras campeãs de vendas também — estamos levantando isso.

    Mas o mais intrigante desse projeto são as compras denominadas “materiais de apoio pedagógico”. Por exemplo: dez contratos [2008-2010] de revistinhas da Turma da Mônica (e Cascão), da Panini, que custaram aos cofres públicos de São Paulo quase R$ 27 milhões, sendo um deles de R$14 milhões numa tacada.

    Foram gastos R$18 milhões em revista Recreio, da Abril. Para a Ediouro, nas compras de Coquetel Picolé, foram mais de R$6 milhões.

    Aí, eu pergunto. Do ponto de vista educacional-pedagógico, que utilidade tem essas revistinhas? NENHUMA. Bem, os adeptos sempre podem recorrer à faceta lúdica, mas e aí? Como é isso na sala de aula?

    Da Fundação Victor Civita, a Secretaria da Educação de São Paulo comprou 18.160 assinaturas da revista Nova Escola no final de 2004 e em outubro de 2007, respectivamente. Em 2008, saltou para 220 mil assinaturas, que custaram R$ 3.740.000,00.

    Curiosidade: além de ter a Nova Escola no local de trabalho, os professores passaram a receber as revistas em suas casas. O que significa que endereços e dados pessoais dessa gente foram para o banco de dados da Fundação Victor Civita, sem permissão ou conhecimento prévio de seus donos.

    O NaMaria acompanhou algumas dessas aquisições do Ler e Escrever. Só para a revistinha Turma da Mônica, da Editora Panini, que já teve negócios com a Globo, a  FDE pagou a ” módica” quantia de R$ 14.277.067,20.

    O quadro abaixo não é completo, é apenas um apanhado do que eu consegui levantar.  Mas é de desnortear qualquer um, concorda?

    Panini Brasil LTDA
    Contrato
    LinkDiário Oficial
    Valor

    90.000 unidades Almanaque do Cascão, 90.000 unidades Almanaque da Mônica
    15/0134/08/04 (Ler e Escrever)
    29/mar/2008
    561.600,00

    9.000 Assinaturas Revista da Turma Mônica
    15/0135/08/04 (Ler e Escrever)
    29/mar/2008
    1.422.900,00

    103.092 avulsas: 51.546 Almanaque do Cascão e 51.546 Almanaque da Mônica
    15/0695/08/04 (Ler e Escrever)
    29/mai/2008
    321.647,04

    5.155 Assinaturas Revista Turma da Mônica
    15/0694/08/04 (Ler e Escrever)
    12/ago/2008
    815.005,50

    Livros títulos diversos ficção e não-ficção para 2ª, 3ª e 4ª séries do Ciclo I
    15/1045/08/04 (Ler e Escrever)
    14/out/2008
    47.946,30

    57.310 assinaturas da Revista Turma da Mônica
    15/0147/09/04 (Ler e Escrever)
    2/abr/2009
    14.277.067,20

    34.938 assinaturas Turma da Mônica Jovem e 279.504 unidades avulsas nº 1 ao 8  Turma da Mônica Jovem
    15/0146/09/04 (Ler e Escrever)
    17/abr/2009
    4.373.538,84

    195.749 unidades Almanaque do Cascão e 195.749 unidades Almanaque da Mônica
    15/0148/09/04 (Ler e Escrever)
    17/abr/2009
    1.291.943,40

    11.295 assinaturas da Revista Turma da Mônica
    15/0502/09/04 (Ler e Escrever)
    6/ago/2009
    2.344.842,00

    392.000 avulsos do Almanaque da Turma da Mônica (196.000 do Cascão, 196.000 da Mônica)
    15/00549/10/04 (Ler e Escrever)
    23/jun/2010
    1.332.800,00

    Total
    26.789.290,28

    Ediouro Ltda
    Contrato
    Link DO
    Valor

    126.000 assinaturas Revista Coquetel Picolé (+ o aditamento ver DO 14/maio/08)
    15/0180/08/04
    2/abr/2008
    1.892.062,80

    132.244 assinaturas Revista Coquetel Picolé
    15/0185/09/04
    20/mai/2009
    3.023.097,84

    62.129 assinaturas Revista Coquetel Picolé
    15/0529/09/04
    26/ago/2009
    1.183.557,45

    Total
    6.098.718,09

    Viomundo – NaMaria já denunciou a compra de outras assinaturas, como  Veja, Estadão, Folha, IstoÉ, Época, Galileu… Tem ideia das justificativas para as compras e de quanto o governo de São Paulo pagou nos últimos anos às empresas que fazem essas publicações?

    NaMaria – Raramente se encontra no Diário Oficial os contratos dessas compras, apesar de ser obrigatória a publicação bem como a justificativa, portanto não sabemos porque essa e não outra e tal. Mas sobre gastos dá para ter uma noção maior, desde que esteja tudo publicado. De modo que o meu apanhado é apenas de uma parte do dinheiro gasto. Pelas pesquisas do NaMaria, desde 2004, especialmente de 2007/2008 em diante, foram entregues no mínimo R$250 milhões (R$248.653.370,27) [valores não corrigidos]. Sem dúvida é mais do que isso, mas já dá para fazer uma reflexão.

    Se pegarmos as compras feitas pela FDE à Abril (Guia do Estudante Vestibular, Atlas Nacional Geographic, Revista Recreio e Veja) e Fundação Victor Civita (Revista Nova Escola), em contratos sem licitação que o DO aponta desde 2004 até agora, teríamos a quantia de R$52.014.101,20 (tabela abaixo).

    Com o mesmo dinheiro entregue à Abril/Civita, sem qualquer percalço licitatório, em troca de papel, poderíamos construir quase 13 novas escolas ou cerca de 152 salas de aula, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos (manhã, tarde e noite). Desafogaríamos as escolas existentes e atenderíamos dignamente os alunos e comunidades.

    Editora Abril / Victor Civita
    Contrato
    Link Diário Oficial
    Valor

    18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola (DE’s/Ofs.Pedags/Escolas) SÓ HÁ 2 REGISTROS EM DO e eles falam em  renovação – onde, quando o contrato inicial?
    42/2199/04/04 (ver DO 29/12/04)
    14/jan/05
    326.880,00

    18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola
    15/1063/07/04
    23/out/2007
    408.600,00

    220.000 assinaturas da Revista Nova Escola – edições 216 a 225 (solicitado pela CENP para o “Ler e Escrever”)
    15/1165/08/04 (ver DO 1/10/2008)
    25/out/2008
    3.740.000,00

    4.475.480,00

    415.000 exemplares Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2008
    15/0543/08/04
    23/abr/2008
    2.437.918,00

    430.000 exemplares Edições nº 7 e 8 do Guia do Estudante Atualidades Vestibular
    15/1104/08/04
    22/out/2008
    4.363.425,00

    430.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.08 + 20.000 Revista do Professor
    15/0063/09/04
    11/fev/2009
    2.498.838,00

    540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.09 + 25.000 Revista do Professor
    15/0238/09/04
    16/jun/2009
    3.143.120,00

    540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.10 + 27.500 Revista do Professor
    15/0614/09/04
    29/ago/2009
    3.249.760,00

    540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem2009 + 27.500 Revista do Professor
    15/00024/10/04
    2/abr/2010
    3.177.400,00

    540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.11-2º sem2010 + 27.500 Revista do Professor N.5
    15/00473/10/04
    15/jun/2010
    3.328.600,00

    540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.12-2º sem2010 + 27.500 Revista do Professor N.6
    15/00762/10/04
    17/ago/2010
    3.328.600,00


    25.527.661,00

    3.000 assinaturas Revista Recreio
    15/0181/08/04 (Ler e Escrever)
    29/mar/2008
    1.071.000,00

    6.000 assinaturas Revista Recreio
    15/0182/08/04
    29/mar/2008
    2.142.000,00

    5.155 assinaturas Revista Recreio
    15/0670/08/04
    12/ago/2008
    1.840.335,00

    25.702 assinaturas Revista Recreio
    15/0149/09/04
    17/abr/2009
    12.963.060,72

    2.259 assinaturas Revista Recreio
    15/0528/09/04
    1/set/2009
    891.220,68

    18.907.616,40

    95.316 Atlas Nacional Geographic vols. 1 a 26, sendo 3.666 exemplares de cada volume
    15/00273/09/04 (Sala de Leitura)
    28/mai/2010
    733.200,00

    5.200 assinaturas da Revista Veja
    15/00547/10/04 (Sala de Leitura)
    29/mai/2010
    1.202.968,00

    5.449 assinaturas da Revista Veja
    15/0355/09/04
    20/mai/2009
    1.167.175,80

    3.103.343,80

    52.014.101,20

    Viomundo – Impressão ou as compras de “papéis” da SEE-SP são uma barafunda?

    NaMaria – Não é impressão. É real. Se analisarmos os últimos 16 anos dos tucanos na educação em São Paulo, você descobrirá que não há um projeto verdadeiro de educação. Há “projetos”, para atender “interesses” de A ou B.

    O universo das compras da SEE-SP é monumental, compra-se de tudo. E isso facilita compras de papelório de editoras, gráficas, fundações vinculadas aos meios de comunicação.

    Aliás, as vendas maciças de papelório à FDE coincidem com o apoio crescente da mídia à candidatura José Serra e apoio ao PDSB. As publicações são apenas cortina de fumaça. Uma desculpa perfeita, pois com o dinheiro do FNDE podem-se comprar tais coisas sem grandes problemas. Porém, o que a FDE comprou, de verdade, foi a palavra nesses espaços.

    Viomundo – Daria para clarear essas compras de papelório?

    NaMaria – São confusas, mesmo. Muitas coisas são para os alunos, pelo menos são compras que pertencem a “projetos” criados para os alunos. É o caso dos livros do Ler e Escrever, também os do Salas de Leitura.

    Tem muito projeto para incentivar a leitura, mas a biblioteca é um horror na maioria das escolas. Ou falta espaço físico, pois ela passa a ser um depósito de computadores “velhos”, apostilas “velhas”, materiais em geral.  Ou há desinteresse administrativo.  Ou, ainda, falta de competência mesmo. Criaram então um “projeto” em que os alunos levam os livros para casa e fazem sua própria biblioteca, eles não ficam na escola.

    O que se vê em todos é um gasto fenomenal de dinheiro, algumas vezes com escolhas inapropriadas para idade/série. Não há dúvida de que é bacana o aluno, sobretudo o mais carente, ter sua pequena biblioteca, mas infelizmente há mais coisas envolvidas.

    Viomundo – Esses livros são “trabalhados” nas salas de aula?

    NaMaria – Não dá para saber ao certo, embora a SEE crie materiais (e capacitações presenciais e on-line), ensinando os professores a usar os materiais que coloca nas classes.

    Eu gostaria muito de saber como são usadas, por exemplo, as centenas de milhares de exemplares do Guia do Estudante Atualidades Vestibular e a Revista do Professor – Atualidades, da  Abril. Elas são “primas” e caminham juntas. Se a gente olhar por alto alguns contratos, entre 2008-2010, vemos os gastos de mais de R$25 milhões. Mas como, exatamente, funcionam na escola não há registro por parte da SEE-SP ou da FDE. São informações que não chegam ao público comum.

    No entanto, é facílimo averiguar. Não para nós, claro. Basta um grupo de deputados – eles têm passe livre – ir até algumas escolas, e analisar construções, mobiliários, reformas, livros, apostilas, computadores, merenda, entre outras coisas. Escolham as mais distantes, evitem as mais próximas ou as consideradas “melhores” pelo padrão FDE. E cheguem sem avisar, principalmente. Depois, divulguem amplamente os resultados. Duvido que tudo esteja o mar de rosas que a Secretaria da Educação de São Paulo anuncia nas propagandas.

    Viomundo – Qual a sua avaliação dos tais Caderno  do aluno [tem também o Caderno do professor], que são apostilas como as de cursinho pré-vestibular?

    NaMaria – Os Caderno do aluno são considerados materiais pedagógicos. Apoiado pelo mesmo pessoal que o acompanha desde o MEC, o Paulo Renato achou bacana ter essas apostilas. A FDE fez licitações para a impressão [serviços gráficos], contratou professores especialistas em cada área, montou equipe interna de técnicos e mandou ver, como o NaMaria mostrou (aqui) em novembro de 2009.

    O estarrecedor, como sempre, foi a quantidade de dinheiro entregue às seis gráficas ganhadoras, entre elas aquela metida com o vazamento do ENEM, a Plural, do grupo Folha. Até novembro de 2009, a Secretaria da Educação, via FDE, havia entregado às empresas quase R$84 milhões [valores não atualizados].  A Plural foi a que mais recebeu: R$28 milhões. Fez inclusive apostilas que não estavam no edital. O levantamento precisa ser atualizado em 2010, algumas gráficas saíram, outras entraram e os valores certamente são outros. É preciso acrescentar muito dinheiro à essa conta.

    Caderno do Aluno – gráficas

    Caderno do aluno – Editora FTD (Artes e Ciências)
    36/2912/08/05
    Ver NM
    12.554.353,96

    Caderno do aluno – Ibep (Geografia e Filosofia)
    36/2912/08/05
    Ver NM
    12.996.463,72

    Caderno do aluno – Esdeva (Física e História)
    36/2912/08/05
    Ver NM
    13.572.846,25

    Caderno do aluno – Multiformas (Matemática e Sociologia, mas caiu fora – fica Plural)
    36/2912/08/05
    Ver NM
    3.386.494,74

    Caderno do aluno – Posigraf (Inglês e Química)
    36/2912/08/05
    Ver NM
    13.286.501,68

    Caderno do aluno – Plural (Bio/Port/Mat/Sociol/Educ.Física)
    36/2912/08/05 + 36/1641/09/05
    Ver NM
    28.113.283,98

    Total

    83.909.944,33

    Viomundo – O que sabe mais dos tais Caderno do aluno?

    NaMaria – Além do mapa com dois Paraguais, de eles terem sido encontrados em caçambas de lixo, os alunos criaram sites com as respostas. Por exemplo, recentemente teve o caso do link que levava os alunos ao impróprio Naked News em vez de site de conjunto de jornais. O NaMaria foi o primeiro a divulgar isso, lembra-se?

    Os professores da rede também criticam abertamente a qualidade desses materiais. Pelo que observo na internet, a maioria não os utiliza em sala de aula, mas representantes da FDE já anunciaram a continuidade das publicações – sabe-se lá até quando. É um belo negócio, esse do ensino apostilado.

    Viomundo – As editoras privilegiadas por essas compras têm também gráfica. É só coincidência?

    NaMaria -- As compras gráficas realmente merecem carinho especial. Se a SEE-SP tivesse gráfica, ela seria das maiores do Brasil. O estado tem a Imprensa Oficial, que poderia — e é usada pela SEE – mas nada se compara aos contratos com empresas privadas. Por exemplo, a Positivo começou como gráfica e hoje, muito graças à Secretaria da Educação de São Paulo, é uma gigante na informática. Para comprovar, basta seguir a história da empresa no DO desde o começo da informatização mais pesada do estado. A Positivo tem a Posigraf, que presta serviços de milhões e milhões à SEE-SP. Não podemos esquecer que bobina de papel é dinheiro disfarçado, faz milagres em eleições, sabia?

    Viomundo – E as assinaturas dos jornais Folha e Estadão, Veja, Nova Escola, IstoÉ, Época…?

    NaMaria — Dizem que são “materiais” para uso nas salas de professores, na administração e, claro, como apoio em sala de aula. Mas novamente não sabemos como isso se dá, nem qual a justificativa legal para tais compras. Como esses contratos dispensam licitação, não aparecem em DO, embora devessem. Por isso não sabemos a justificativa. Dá só para a gente imaginar – e ninguém pode reclamar se imaginarmos errado.

    Quer outro exemplo de absurdo? Há um certo curso de idiomas que está acontecendo agora, outro projeto-piloto. A SEE-SP contratou algumas empresas particulares para fazer o que os professores da rede deveriam fazer: ensinar idiomas aos alunos estaduais. Mas como o projeto chama-se Programa de Aperfeiçoamento em Idiomas, fica parecendo que está tudo correto. Mas ele é muito estranho. Além de uma das empresas, a Multi Treinamento e Editora Ltda, estar em todo canto, pagam mais às empresas terceirizadas do que aos professores públicos. O NaMaria está pesquisando isso.

    Viomundo – Da perspectiva de educação tem sentido a compra desse papelório?

    NaMaria – Nem todas as compras parecem ter sentido. Sobretudo as feitas sem licitação, como aquelas das assinaturas de Veja, IstoÈ, Época, Folha, Estadão, El País e jornais do interior que mostrei no blog (aqui).

    Há pedidos de informação na Assembleia. Há casos em investigação no Ministério Público de São Paulo. Mas não se sabe muita coisa, pois não publicam, demoram demais.

    O fato é que o Tribunal de Contas aprova a maioria dessas compras sem ressalvas, julgam “regulares” e ponto. Quando ocorre o inverso, raras vezes, algo se passa que acabam bem da mesma forma, justificam-se as compras e tal. Mas como não temos acesso público às justificativas, sejam quais forem, a incógnita permanece.

    Não há tanta transparência assim quanto dizem. Qual o sentido de se comprar só a Veja sendo que há a Carta Capital no mercado também? Por que apenas a Nova Escola se temos a Carta na Escola? Por que não licitar entre as editoras? Qual o sentido de gastar muitos milhões em Microsoft se há softwares livres ou outros que fazem o serviço melhor que os da Microsoft? Por que lançar um programa de venda de computadores para professores e nas máquinas estarem instalados o sistema operacional e as montanhas de tranqueiras da Microsoft que jamais serão usadas?

    Ou seja: lançam um programa de “computadores mais baratos” e eles são de marca fornecedora da FDE há séculos (Positivo, por exemplo), com sistema operacional Microsoft e por aí vai. Por que criar apostilas cujos conteúdos são um tanto problemáticos, além de caríssimas, em vez de manter os livros aprovados pelo MEC e ao gosto do professor e seu currículo? Creio que estas e outras perguntas deveriam ser respondidas pelos professores e, logicamente, pelos alunos.

    Viomundo – E a Globo onde entra nessas compras da FDE?

    NaMaria – Via Fundação Roberto Marinho. Aí, há as apostilas do Telecurso, além  dos cursos técnicos comprados pelo Estado. Ou através da Editora Globo, que vende livros, revistas… Pelo que achei até agora temos o pequeno valor de R$54.184.737,71 – entre os anos de 2005 e 2010. Bom, né?

    Viomundo – Todas essas compras são feitas sem licitação, mesmo? Isso não seria irregular?

    NaMaria – A maioria é sem licitação. A lei da inexigibilidade de licitação – artigo 25 inciso I, da Lei 8666/93 — permite isso. A questão é que os contratos, mesmo sem licitação, e a respectivas justificativas deveriam estar no Diário Oficial.  Pelo menos esses negócios ficariam mais transparentes. Mas isso não acontece na maioria dos casos. Como eu já disse: as outras secretarias até publicam no DO, a da Educação, raramente. Estranho, não é?

    Poderíamos pensar em “ilegalidade” já que frequentemente há similares no mercado. Mas isso não é respeitado ou considerado.

    Por outro lado, como se explica a compra por licitação dos materiais do Telecurso da Fundação Roberto Marinho para as escolas técnicas e os supletivos? O Namaria tratou disso (aqui). Por que fazer licitação para um material que somente a Fundação Roberto Marinho faz? Por que sempre entre as mesmas três gráficas licenciadas?

    A gente tem de se esforçar e crer que são totalmente legais ou o mundo estaria perdido. Mas é preciso analisar mais profundamente. Por exemplo, há casos de licitações bastante estranhos. O certame para fazer “eventos” é um deles. Tudo indicava um ganhador, uma empresa campeã de contratos, a Objetiva, que é do Eduardo Graziano — irmão do Xico Graziano, funcionário público do governo FHC (assim como o irmão), e depois do Serra. A Objetiva sempre levava todas no mundo governamental, é muito influente.

    Por mais que eu leia o DO, os editais e tudo mais, menos entendo esse caso. Nós publicamos no NaMaria o lançamento do edital em 18/agosto/2009 e contamos parte da história, baseada nos documentos oficiais. Apostamos na Objetiva, porque o histórico da empresa sugeria a vitória certa. Mas, no final ela perdeu. Publicamos novo texto com maiores levantamentos. Às vezes quem perde é mais empolgante do que quem ganha. Realmente foi algo “inexplicável”, entende?

    Os editais, quando há licitação e são dispostos ao público, mostram muito mais do que se imagina. As compras de software, sempre Microsoft, são impressionantes. Há especificações tão “específicas” que sugerem que são dirigidas.

    Aliás, se lermos com atenção as entrelinhas desses “projetos”, acompanharmos o que rezam os editais e conversarmos com professores e alunos, fica patente a filosofia da SEE-SP. Primeiro, vêm os “negócios”, depois o planejamento.

    Viomundo – E agora?

    NaMaria – Estamos diante de uma situação, cada vez mais preocupante. Há, por exemplo, um grupo de fornecedores específicos que estão no estado há muito tempo. Mesmo com reclamações, multas, serviços péssimos, eles continuam. As empresas camaleão também estão presentes. Empresas que fazem negócios em nome de outras que foram de fato ganhadoras, também – é o caso das antenas parabólicas, do Alckmin, que tem no blog. Ou seja: há uma espécie de terceirização até nisso.

    O fato é que, embora tenhamos dinheiro e profissionais para tornar a educação pública de São Paulo equivalente às melhores existentes no mundo, os “negócios” tornaram-na um lixo.  É necessária uma devassa nos contratos da FDE e da SEE-SP. Quem vai fazer isso com isenção e seriedade necessárias?  Lanço aqui no Viomundo este desafio.

    NaMaria: Desde 2004, PSDB paulista gastou R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação) | Viomundo - O que você não vê na mídia

    Servidores - Sindicatos, Políticas Públicas, Funcionalismo